terça-feira, 29 de setembro de 2015



Aqui no Brasil, somos todos mestiços. Eu gosto de ser mestiço, e não quero sair do Brasil: quero viver aqui, lutar aqui e morrer aqui.
Quando digo que me desespero ao desconfiar que a cognição mestiça não será capaz de ultrapassar determinados limites perceptivos, típicos de fundamentalismos em geral, e não apenas do fundamentalismo bíblico, não estou querendo justificar a exploração econômica exercida contra os mestiços por etnias de sangue puro europeu. Estou apenas fazendo deduções pessoais a partir da minha observação da realidade concreta brasileira. Mas com isso não descarto a possibilidade de mudanças futuras, mesmo com o desespero entrando em mim frequentemente.
A mestiçagem está mais no sangue do que na cor da pele. E é assim na árvore genealógica dos meus avós, por exemplo, principalmente os paternos, onde há uma grande quantidade de mulatos. O elogio da mestiçagem já foi feito por Gilberto Freyre. Mas ainda não fizeram uma abordagem mais ampla, que inclua os dois lados da questão, o lado “positivo” e o lado “negativo”, sem filtração ideológica de nenhum tipo, sem direcionamentos políticos.

Nós brasileiros seríamos mestiços que não querem ser mestiços? Relutamos em reconhecer a nossa condição mestiça? Um mestiço que se reconhece como mestiço jamais será um racista. Mas, no Brasil, preto é preto, e marrom é marrom. É assim que é na prática, onde os marrons gozam de pequenas vantagens que estão interditadas aos pretos propriamente ditos. Enfim: precisamos olhar para a mestiçagem com olhos bem abertos e visão ampla, sem ilusões e sem filtrações ideológicas de nenhum tipo. TENHO DITO.

zé de LARA - 03/12/16



Há uma necessária urgência para evidenciar, novamente, a distinção entre marxismo “ortodoxo” e marxismo “heterodoxo”, colocando o “marxismo-leninismo”, e assemelhados em geral, incluindo os “espartaquistas”, como uma variante de marxismo ORTODOXO E DITATORIAL.
Este imbróglio horroroso refere-se, ao meu ver, ao velho conflito entre liberdade individual e distribuição de renda. O que, AO MEU VER, é uma guerrinha ideológica “desnecessária”, pois os dois últimos citados são, AO MEU VER, complementares, e não absolutamente antagônicos (refiro-me à COMPLEMENTARIEDADE entre “liberdade individual e distribuição de renda”.)
A “autogestão generalizada”, no caso ESPECÍFICO do Brasil, parece-me irrealizável, incuravelmente utópica (por “n” motivos que eu já expliquei nos meus escritos anteriores). A “ditadura do proletariado” parece-me, AO MEU VER, uma proposta estagnada na segunda metade do século 19 e início do século 20. E o “estado-de-bem-estar”, na sua variante “nórdica”, desde que adaptada ao caso ESPECÍFICO do Brasil, parece-me mais inteligente neste momento atual (melhor adaptada ao caso específico do nosso país).

Talvez o grande desafio, NO BRASIL, para o século 21, seja encontrar alguma maneira de passar do estado-de-bem-estar para a democracia “direta”, progressivamente, gradualmente, por etapas, A MÉDIO E LONGO PRAZOS, sem precipitações “suicidas” do marxismo radicalóide, ortodoxo e ditatorial. Passando, antes, por algum tipo de “programa mínimo CIRCUNSTANCIAL”, cuja aplicação, A PRINCÍPIO, como primeiro passo, estaria a cargo de alguma variante de “frente ampla progressista e de esquerda de democrática”. Eis o imbróglio terrível. DESNECESSARIAMENTE SANGUINÁRIO.
E aqui é preciso repetir uma ressalva importante: uma estratégia etapista e progressiva não descarta os diferentes tipos de luta: atos públicos, panfletagens, greves, desobediência civil, abaixo-assinados, votos na esquerda em geral, etc. Mas o acúmulo de forças, inevitavelmente, é GRADUAL, e não pressupõe ataques frontais a qualquer momento, de forma precipitada e “suicida”, o que implica em diferentes táticas para diferentes contextos, ao invés da radicalização infantil a qualquer momento.

zé de LARA - 29/11/16.




A tentativa de suicídio do empresário Branislav Kontic trouxe à tona, mais uma vez, o tema espinhoso dos diferentes tipos de suicídio ou eutanásia. Duplamente polêmico, pois o “suicídio branco”, ou gradual, também está na lista negra do fundamentalismo puritano em geral, incluindo os kardecistas.
Sempre tive a convicção de que o suicídio ou a eutanásia são direitos individuais, e não tabus intocáveis. Mas isso não me faz pregar o desregramento autodestrutivo como bandeira cultural ou ideológica. É diferente. O temor da “normose” coletiva é diferente do meu temor.
Lá de dentro, do fundo escuro do fundo azul, em verdade vos digo, que o temor dos puritanos e vitorianos, em geral, é de que uma onda generalizada de suicídios entre os jovens acabe levando para as funduras do Hades , ou do Sheol, uma pequena porcentagem dos seus semiescravos. Algo próximo a 5 por cento de todo o seu lucro líquido. Já o meu temor é mais em relação, especificamente, à BANALIZAÇÃO do suicídio ou da eutanásia, e não estes dois em si mesmos, já que os considero direitos adquiridos através do livre arbítrio.
Tento assim explicar minha contradição. E os normóticos sublimados que expliquem a enorme aporia que eles cultivam quando, por um lado, implantam algum tipo de “sistema de castas” ou neo-liberalismo insuportáveis, mas na sequência não querem que ninguém desenvolva qualquer tipo de melancolia quase-suicida. (é contraditório demais). E então não há como negar que existe um excesso de paradoxos “vitorianos” na vida da gente na atualidade.
Afe!
DURMA-SE COM UM BARULHO DESSES!!


Zé de LARA – 12 de outubro de 2016, dia da gloriosa Nossa Senhora Aparecida.



Vai ser extremamente difícil costurar uma “frente ampla de esquerda” no Brasil atualmente. O mais provável é que os compartimentos autofágicos se sobreponham e estraguem a costura, principalmente quando se trata de inevitáveis acordos pontuais e táticos com o campo da centro-esquerda, englobando toda a esquerda democrática.
Talvez o principal ponto-de-estrangulamento seja a velha tática de se fingir “progressista” pra, uma vez no poder, aplicar um esquema de centro-direita já bem próximo do esquema neo-liberal propriamente dito. Foi este o vacilo da “ala direita do CNB” dentro do PT, fazendo a maior parte do campo majoritário petista guinar pra “centro-direita circunstancial”, NA PRÁTICA. Enquanto o PSOL, por exemplo, fica posando de vestal radicalóide. O PSTU é um caso mais grave, pois cristalizou-se epistemologicamente no século 19. E acontece algo parecido com o anarquismo “clássico”, QUANDO É RADICALÓIDE, e tendendo a transformar em “bula” determinadas subdivisões do intestino anarco.
Mas há outros egos partidos nesse campo de batalha cheirando à morte. Não é apenas o PSTU que pende para o isolamento infantil (principalmente setores internos da corrente “Bloco de Esquerda”, do PSOL, que são muito parecidos com os radicais e ortodoxos do PSTU, por mais que neguem). E outro ponto-de-estrangulamento é o tal do “programa mínimo” circunstancial. Trotskistas ensandecidos e anarquistas delirantes juram, de joelhos, que esta tática da frente ampla é um estratagema luciférico para implantar, de revestrés, mais um capcioso esquema neo-liberalóide, um rebaixamento programático inaceitável. Sem falar nos anarco-individualistas que, com frequência, caem inconscientemente nos abraços-de-tamanduá de uma falsa democraciazinha qualquer à direita.

Já um partido como o PSB, por exemplo outra vez, e o PV também, dão sinais evidentes de capitulação diante de uma centro-direita altamente suspeita, que não chega nem mesmo a ser “arraesista”, no sentido de uma verdadeira centro-esquerda paranambuque. O PCdoB, aqui em Pernambuco, adquiriu um pendor para “enquistar-se” em diferentes setores internos do PSB-PE. E quando a gente chega numa altura dessas, fica extremamente difícil detectar quem está REALMENTE no campo do “estado-de-bem-estar” pra valer, mesmo que apenas contextualmente. E então a misantropia despolitizada começa a rondar os nossos lares de maneira avassaladora. Mas aí já estamos no terreno da Genética e da Memética. Que é outro papo.

zé de LARA - 09/10/16.




OS CAFUÇUS E AS DONZELAS CASAMENTEIRAS.
Agora, aos 55 anos, tou profundamente convencido de que os cromossomos e hormônios influenciam a vida erótica e mental, das mulheres e dos homens, bem mais do que todos nós queremos admitir. E essa é uma constatação extremamente preocupante. Tenho a séria impressão que o amor romântico possessivo é pré-definido nas entranhas dos genes e dos memes femininos. E então... somente com um nível muito alto de autopercepção e visão ampla seria possível, para uma fêmea, conseguir administrar seus pendores “naturais” de uma forma mais livre e menos “caseira”. Seria sobre-humano. (A obsessão por um mesmo homem, na grande maioria dos casos, é bem mais forte do que o esforço pra libertar-se da gaiola caseira. Às vezes assemelha-se a uma tatuagem psicológica irremovível.)
Parece mesmo que a biologia influencia mais do que a cultura, no caso do amor romântico feminino, embora o mesmo seja resultante de uma mistura de influências biológicas e culturais onde o percentual de cada uma é muito difícil de ser quantificado na relação entre genes e memes (a Genética e a Memética misturadas num esforço de conhecimento desesperado e infrutífero, contra um “soft” que parece imutável).
Nem tudo pode ser explicado apenas pela “lavagem cerebral” perpetrada pelo velho patriarcado dentro dos lares que são núcleos de reprodução do falso moralismo e da ideologia burguesa, onde os interesses imediatos do ego individual de cada cônjuge e a reprodução dos genes familiares sempre falam mais alto, centrados nas necessidades materiais do futuro da prole. Mas aqui é preciso fazer uma ressalva muito importante: não se trata de extinguir a família, e sim de REDIMENSIONAR a família. E essa família REDIMENSIONADA é um alvo muito difícil de ser atingido, mas não é impossível. (não estou falando de casamento aberto).
“Arranjar um marido é uma arte, porém mantê-lo é um trabalho, árduo.” (Simone de Beauvoir).
Os cafuçus recifenses da década de 50 cunharam algumas frases terríveis. Eis duas delas: 1) “mulher tem prazo de validade”. 2) “o carro é setenta por cento da conquista”. Destas duas frases tenebrosas é fácil deduzir que o quinhão de beleza externa, na fêmea, e o quinhão de poder (ou dinheiro), no macho, são fundamentais na dinâmica interna do amor erótico. As exceções são raras, raríssimas. Quando a beleza externa feminina acaba, e os sonhos desmoronam, em muitos casos acontece de as fêmeas afundarem numa misandria horrível. E os homens, simplesmente, vão continuar tentado seduzir as “bonitas-e-gostosas”, com a misoginia dando as cartas a partir das profundezas do “id”, manipulando o ego, invisivelmente, a partir “de dentro”. Eis a triste e cruel realidade. A vida como ela realmente é, na grande maioria dos casos: EGO E POSSE. (Tenho a séria desconfiança de que é praticamente impossível uma mudança de HEGEMONIA do amor romântico para o “amor livre”. Nenhum macho divide beleza externa com outro macho.)
Os hippies tentaram a desvinculação entre luxúria e dinheiro, mas fracassaram. A luxúria tem uma dependência direta da beleza externa feminina. Nenhum macho “come” feiúra física numa fêmea: eles não se excitam com corpos femininos feios (sem um mínimo de formosura). Os homens devoram estética no corpo das mulheres. Aqui no Brasil, mesmo sendo um país politicamente depravado, a resistência cultural “alternativa” foi em vão. O amor romântico e a concentração de renda continuam hegemônicos. Os interesses da família “normal” e burguesa parecem imbatíveis, e uma boa parte do povo foi cooptada. E então a cooptação generalizou-se até a base da pirâmide social, alicerçada em interesses imediatos de sobrevivência ou riqueza. E o que é pior: evidencia-se, cada vez mais, que a cognição “mestiça”, na grande maioria dos casos, não consegue ir além dos limites existenciais e mentais da “normose” contextual e de certa limitação perceptiva, atualmente generalizadas e hegemônicas. Parece uma concordata coletiva, aceita pela maioria conformista e corrompida. (ninguém consegue dormir com um barulho desses).
CRUDELÍSSIMO.

CRUEL. CRUEL. CRUEL.



SISTEMA DE CASTAS E ESTUPROS COLETIVOS.

O patriarcado védico também tem as suas “sombras”. Nem tudo é luz sob os domínios dos beatos brâmanes. Mas eu não tenho tempo pra pesquisar sobre Religião Comparada, como fez o Jung. Gostaria muito de saber detalhadamente onde estão as semelhanças, coincidências e convergências entre os diferentes patriarcados religiosos. Principalmente as “merdas”. Embora eu reconheça também os aspectos positivos. Tudo que é humano está atravessado por bipolaridades inevitáveis, e até mesmo os ditos “iluminados” ou “santos” não escapam dessa condição dupla quando estão “reencarnados” em alguma criatura humana. (o SOFT humano É assim.)
Há diferentes maneiras de “cair”: dinheiro, poder, fama, sexo, vício, etc. Conforme as diferentes pulsões: pulsão de ego, pulsão de morte, pulsão de poder, pulsão de sexo, etc. Às vezes um determinado “santo” não cai na pulsão-de-sexo (quando é irresponsável), mas cai na pulsão-de-poder. Por exemplo: na disputa hierárquica dentro das religiões. É uma queda no “exercício de poder vampiresco e castrador”, pela via da atuação indireta como um dos sustentáculos do Estabelecido, pela via do conformismo cooptado, o que vai implicar num “apoio” indireto a diferentes tipos de poder fascistóide ou extremamente concentrador de renda. Excessivamente elitista. E não esqueçam que nenhum poder é exercido sem alguma dosagem de violência institucional.
Atualmente, na Índia, grupos de mulheres estão se organizando em “cooperativas” de artes marciais, pra aprenderem algumas noções de defesa pessoal, principalmente com o uso do bastão; mas essa “organização” feminina, com fins específicos de autodefesa, ainda é muito incipiente. E tem a oposição radical da maioria dos gurus “absolutamente” pacifistas e puritanos do patriarcado védico em geral, que chegam, em alguns casos mais raros, a defender o direito ao estupro, usando como argumento a ultrapassagem de determinados limites nas atitudes femininas ou em novos estilos na maneira de vestirem-se. Chega a ser extremamente sádico, em nome das “purezas” e sublimações do vedismo clássico. Mas a ingenuidade pacifista, confundida com bonomia, e as ilusões do “cinderelismo”, atuam também como um dificultador para o crescimento da visão crítica e da capacidade de legítima defesa das fêmeas.
Outro problema com o hinduísmo é o sistema de castas renitente, desde a chegada dos arianos, que continua sendo defendido pela maioria do povo, apesar desse sistema já ter sido retirado da constituição indiana. Está acontecendo um crescimento da guerrilha maoísta, mas o nível de politização do povo hindu ainda é muito baixo, mormente se considerarmos que o “marxismo-leninismo”, ou esquemas ideológicos semelhantes, são anacrônicos e também vampirescos e castradores à sua maneira, inclusive no campo da subjetividade, que é um campo do conhecimento onde os marxistas ortodoxos sempre tiveram enormes dificuldades epistemológicas.
Não se trata de abrir mão das técnicas de meditação, e autogerenciamento, desenvolvidas pela “civilização” védica, pois fazer isso em nome do combate às injustiças sociais seria “jogar fora a criança junto com a água do banho”. Esse conhecimento “espiritual”, milenar, como técnica psicológica, precisa ser assimilado pelo Ocidente, nas suas nuances mais úteis para a autopercepção, sem a velha postura dicotômica de querer descartar um lado quando optamos por outro, evitando o pendor para secundarizar as necessárias simbioses e sinergias entre os diferentes campos “epistemológicos”.

Então é preciso sempre ver, com olhos bem abertos e visão oceânica, as diferentes nuances de cada questão, e tentar abarcar o maior número possível, fazendo a necessária conjunção de fatores na colcha-de-retalhos individual e no meio social. (é difícil, mas não impossível.)

zé de LARA - 20/04/16



O CAOS COMO ATALHO PARA A TOMADA DE PODER.
A paralisação da economia é uma estratégia para facilitar um “assalto” ao poder, premeditado pelo capitalismo pós-industrial. A crise política, no Brasil, tem mais influência no degringolo da situação atual do que a crise especificamente econômica, que também existe, mas começou nos EUA com a tão badalada especulação imobiliária e financeira, e depois espalhou-se para os outros países, num tipo de efeito dominó. E há uma crise ambiental também.
Porém a crise POLÍTICA, no Brasil, planejada por antecipação pelos capitalistas vampirescos, tem sido usada, sorrateiramente, pra fragilizar o atual governo, impedindo a aprovação de medidas econômicas PROGRESSISTAS, e assim acusar o governo dilmista de incapacidade política e administrativa, catalisando a fragilidade da situação, e usando-a como desculpa pra implantar medidas de cunho neo-liberal, e depois acusar o governo de querer fazer o que os neo-liberais planejam implantar. É uma tática quase fascista. (Lembrem que esta tática é típica do mundo fascistóide: acusar os outros de fazer o que eles, os fascistinhas ou neo-liberais, já estavam fazendo sorrateiramente.)
E assim o desabastecimento, ou o caos, ou uma extrema concentração de renda, ou uma hiperinflação artificial, podem ser usados como “desculpa” para a articulação de algum tipo de golpe: militar, jurídico, financeiro, civil, etc. Seria uma tramóia funcionando capciosamente, por debaixo dos panos, num primeiro momento, até a emersão indisfarçável num segundo momento, quando as forças progressistas já não teriam capacidade para resistir ao “cerco prolongado” na sua fase final. E então a alta burguesia pode aparecer como salvadora da pátria, com um discurso de “novo capitalismo” ou “neo-fascismo disfarçado”, como solução para o “caos” que ela mesma premeditou sub-repticiamente. Então aqui já estaremos no auge da decadência vampiresca ultraburguesa, de uma barbárie neo-liberal indescritível e sem par.


Zé de LARA – 15/04/16



PAZ & CARIDADE

Há dois tipos de caridosos: 1) O “ingênuo”, ou alienado, que acredita piamente que a caridade, em si mesma, é algum tipo de panaceia espiritual e social, utilizando-a como uma massagem no ego pra atenuar o sentimento de culpa e a crise de consciência: um ópio psicológico (enganar a si mesmo é mais fácil do que a gente pensa). 2) O “esperto”, ou conformado por convicção, que faz caridade para não lutar por transformação social, e usa a atitude caridosa como um álibi para enganar o seu “público” e posar para a coletividade como um tipo mental altamente evoluído e desapegado.
Obviamente não se trata de negar a importância da caridade: ela tem uma função no todo social, como atenuante das consequências do excesso de concentração de renda. Mas é preciso, também, alertar para os casos em que ela é manipulada como um substituto da luta maior por mudanças sociais mais profundas.
Acontece algo semelhante na dicotomia entre a paz conformista e a violência responsável, direcionada especificamente para a autodefesa e a luta por transformação sócio-econômica. E então a “cultura de paz” é usada, sorrateiramente, para incentivar o conformismo ideológico-existencial e a cristalização de modelos econômico-políticos altamente concentradores de renda e poder, pela via do escapismo ou da “cooptação”, em alguns casos específicos. E há também a própria dicotomia mental, subjetiva, mais frequente na herança ocidental, que estabelece uma separação maniqueísta e irreconciliável entre a paz absoluta e a violência necessária, evitando a alternância e a mistura entre os dois lados supostamente “contrários”, que são lados de uma mesma moeda, uma bipolaridade e uma infinidade de “pares de opostos”, entrelaçados dentro da teia cósmica, um fenômeno esmiuçado pela filosofia “alternativa” e campos do conhecimento não-positivista, embasados em fatos e evidências que emergem das multipolaridades cósmicas.

O risco maior, então, é a cristalização de uma postura mental extremamente maniqueísta e dicotômica, que endeusa totalmente a paz absoluta e demoniza totalmente a violência necessária (direcionada para a legítima defesa e para a luta por mudanças sociais e existenciais ampliadas).

zé de LARA - 13/04/16



SILENO CONTRA EPICURO.
A guerrinha entre epicuristas e cirenaicos é eterna.
Dizendo de outro jeito: hedonismo amoral contra hedonismo ético. A partir da década de 60, o mesmo conflito emerge como um “atrito” entre liberdade individual e suicídio branco (enquanto opção pessoal).
Atualmente, com o crescimento do moralismo puritano, no Brasil, uma guerrinha muito semelhante ressurge “das cinzas”. Na verdade, essa guerra é eterna. Vai e vem. Vem e vai. Alternando ou misturando os seus lados opostos.
Para a herança “contracultural”, nunca se trata de interferir na liberdade individual, mesmo quando, em alguns casos raros, ela desemboca em suicídio branco ou autodestruição gradual, se assim desejar o indivíduo que fez essa opção, quando é opção, e não queda inevitável. Mas aqui já estamos diante de um problema “ético” muito problemático: usar a decadência individual contra a decadência coletiva, ou contra a “normose” castradora, como um tipo de militância existencial transgressora, seria uma estratégia infrutífera e muito perigosa. Que mais afasta do que aglutina. Mormente quando constatamos que, na realidade cotidiana, os prejuízos nunca acontecem apenas para si mesmo, e acabam resvalando, indiretamente, também para a família e para determinados setores do meio social, até certo ponto. Inevitavelmente.
Eu mesmo nunca coloco a possibilidade de interferir na liberdade pessoal de ninguém. Apenas me reservo o direito de discordar do caso específico em que o “suicídio branco” ou a morte precoce são defendidos, culturalmente, como uma bandeira ideológica e existencial. O problema está, especificamente, quando a autodestruição é colocada como uma BANDEIRA cultural e filosófica para a existência cotidiana. O problema está, em outras palavras, na transformação em “bandeira existencial”, e não na opção individual em si mesma, quando vivenciada individualmente, sem tornar-se pregação “ideológica” específica.
Quando a “normose” coletiva é excessiva, seria justificável ultrapassar certos limites, em nome da resistência transgressora, se assim alguém deseja, mas seria preciso, também, um mínimo de autogerenciamento “ético” pra que essa vivência consiga exercer sua liberdade com responsabilidade, evitando maiores consequências indiretas para o seu círculo de amigos e familiares. É uma tarefa difícil, realmente, mas acredito que os esforços pessoais devem ser direcionados para um possível hedonismo ético, e não para a autodestruição irresponsável e caótica.
Tenho dito, e repetido. Corajosamente diante dos extremos “normóticos” e diante dos extremos “contraculturais” também. (talvez alguma espécie de “meio-termo”, no formato de mistura dialética, seja melhor adaptável para a especificidade da condição humana, ao invés dos extremos da bipolaridade, de um lado ou de outro).
Pois é. Aqui estamos nós no mesmo barco, em pleno século 21, por incrível que pareça.

(zé de LARA - 31/03/16)



Usar a malandragem contra o capitalismo seria uma manobra capenga. Uma punheta. Mais uma maneira de fugir do enfrentamento direto, da tentativa de transformação social. Sem maiores resultados além de alguns pequenos ganhos individuais. E a malandragem maior é a do próprio capitalista, bem mais esperto.
Na luta pela sobrevivência, no dia-a-dia, a malandragem pode até conseguir algumas pequenas vantagens, mas, no geral, ela está sempre fugindo da luta maior pelas mudanças econômicas e políticas. É um tipo de covardia individualista. E é fraco o argumento de que, no Brasil, nada resta senão a esperteza individual, como tática de auto-defesa, já que, supostamente, as injustiças sociais do Brasil seriam incuráveis. Esta seria uma argumentação falaciosa ou uma desculpa esfarrapada.
Mas eu confesso: também sou malandro. Tenho a malandragem nos genes. Como todo mundo aqui, nada me restou senão exercer uma dosagem de esperteza pra me defender das garras que sugam “energia” dos fracos e ingênuos. Foi por justa necessidade pessoal que eu deixei de ser pacifista pra ser “guerreiro” esperto. Estrita necessidade contextual. Portanto: exerci minha AUTODEFESA malandra por inevitável e ultranecessária estratégia “guerreira” pra me defender dos caninos afiados dos vampiros neo-liberais e fascistinhas vermelhos (ou assemelhados).
SEJAM COMPREENSIVOS.



O “Bruxo do Cosme Velho” é, sim, o gênio número um da mestiçagem. Porém, mesmo assim, eu prefiro Graciliano, ou Lima Barreto. O que não tira de Machado o título de “gênio dos mestiços”, obviamente.
Por que Graciliano ou Lima? O primeiro pelo estilo, mais enxuto e melhor costurado. E o segundo pelo conteúdo, que evita o pessimismo conformista e tem uma densidade social mais crítica; e também avança, pelo menos até certo ponto, até uma "politização" razoável, mediana, embora as costuras estilísticas de Lima e Machado não sejam tão bem concatenadas e enxutas quanto a de Graciliano, que evita melosidades desnecessárias. E embora o “bruxo do Cosme” também tenha uma boa densidade existencial, mesmo não sendo calcada num pessimismo COMBATIVO ou em algum tipo de anti-capitalismo limitado ou mediano.
Talvez o falso moralismo e a desnorteante hipocrisia do final do século 19 e início do século 20, ou os excessos vampirescos da aristocracia e da burguesia desse tempo, tenham ajudado a desenvolver no “bruxo do Cosme” alguma espécie de cosmovisão extremamente negativa, e CONFORMISTA, que fez com que ele decidisse não lutar contra o capitalismo do seu tempo, certamente por conta de uma convicção pessoal de que os males da condição humana e terráquea são insolúveis na maioria dos casos.
Diferente do Lima e do Graciliano, que primaram por uma abordagem de crítica social mais “ideologizada”, com limitações na politização, mas que era o possível naquele referido contexto, sem descuidar do estilo e da estética.
O pessimismo conformista é um dos pilares de sustentação do Estabelecido. E as decisões editoriais e epistêmicas são feitas após filtragem ideológica; sabemos. Sendo assim, um escritor conformista interessa mais aos ditames da burguesia editorial, principalmente daquela que publica em papel. No entanto, tudo isso não desfaz a grandeza de Machado, que continua confirmadíssimo como gênio número um da mestiçagem.
Eu assino e confirmo, em qualquer lugar do mundo. Não tenha dúvida.






Se eu entrar no campo de batalha com uma espada de um metro e meio, não vou querer que o meu inimigo use um palito. Falando sério. Sejamos lúcidos e realistas. Sem subterfúgios. E sem esperar que o inimigo seja bonzinho ou reaja com moleza. Quem atacar, esteja consciente dos riscos que irá correr. Não espere impunidade. É a “lei da ação e reação”. Esteja preparado para o cacête da legítima defesa do outro. Não dê bobeira. Não vacile. Tanto faz se é da esquerda ou da direita.
O guerreiro inteligente sabe a hora certa de avançar e a hora certa de recuar. Não é precipitado, nem impulsivo, nem maniqueísta. Não demoniza a diferença. Sabe diferenciar casos específicos e identificar quem realmente é bandido. E também quem não é. Contudo, todavia, entretanto...
A preparação de um novo profissional da segurança será uma tarefa demorada e perigosa. Paulatina, gradual. Vai ser demorado e perigoso superar alguns limites e problemas típicos da profissão de guerreiro. Por exemplo: atacar prioritariamente inimigos ideológicos do poder estabelecido em cada contexto, atuando prioritariamente como um dos sustentáculos desse poder. Mesmo reconhecendo que esse tipo de atuação, quando não é prioritária, é parte natural e específica da profissão de “xátria”.
E essa nova Lei Anti-Terror, com as suas ambiguidades e confusões, parece que vai abrir brechas jurídicas pra dificultar ainda mais a relação com os movimentos sociais, e também a preparação desse novo profissional da guerra, indiretamente. Enfim: quem decide usar alguma dosagem de violência como ataque “preventivo”, seja da esquerda ou da direita, precisa estar bastante consciente das possíveis consequências do seu ato. Sem ilusões de futuras impunidades. Pois é.
E sem maniqueísmos mútuos entre artistas e guerreiros. Ou entre esquerda e direita.
Tenho dito. E repetido.

 


O pioneirismo de Feyerabend, com o seu pluralismo metodológico e epistêmico, é realmente louvável, de valor imensurável. Sua percepção antecipadora, e sua coragem de enfrentar a hegemonia do cientificismo “pan-racional” de seu contexto, são verdadeiramente extraordinárias. Um grande mérito.
Os jovens de hoje, que convivem cotidianamente com a superação dos limites do positivismo como algo rotineiro, não imaginam o quanto era feroz a luta epistemológica dentro das universidades, e fora delas também. Posso mesmo dizer que há um rastro de “sangue” nessa disputa, uma vez que ela sempre está atravessada por relações de poder ou interesses financeiros.
A pluralidade é o mote principal. A sinergia entre diferentes métodos. O mais frutífero são as “simbioses” e sinergias entre várias ferramentas do conhecimento, e não a hegemonia exclusiva de uma delas. Atualmente, isso parece óbvio, e é mesmo. Mas... há 40 anos não era tão simples assim. E era perigoso também. Quem ousasse enfrentar a corrente hegemônica, corria o risco do isolamento, ou de ver sua carreira acadêmica destruída, ou até mesmo sofrer perseguições ideológicas e políticas.
Então estou aqui prestando justas homenagens ao grande Feyerabend. E agradecendo pela herança “iluminada” e corajosa que ele nos deixou. Tenho dito.




Nunca a Hanna Arendt foi tão atual. Reconheço isso, apesar das minhas divergências pontuais com o anarquismo pacifista.
Era preciso muita lucidez e coragem pra afirmar o que ela afirmou após seu acompanhamento do julgamento de Eichmann, o carrasco nazista. Falar a verdade custou-lhe perseguições e sérias dificuldades pessoais após o referido julgamento.
A conclusão fatal é a seguinte: o exercício de poder “totalitário” não é prerrogativa exclusiva de nenhuma etnia, ou gênero, ou orientação sexual, etc. Não é exclusivamente semita nem exclusivamente germânico. Nem exclusivamente hétero ou masculino. É, sim, um problema de todos os seres humanos. Um imbróglio de todas as criaturas humanas. Qualquer ser humano, de qualquer tipo, poderá exercer poder totalitário ou “nazistóide”. É a famosa BANALIDADE DO MAL.
Nenhuma criatura humana é desprovida de fome-de-poder. E essa pulsão-de-poder corre o risco do descontrole e de tornar-se ditatorial em qualquer tipo de criatura humana, de todas as cores e origens. O ego humano insaciável pode emergir em qualquer etnia, ou gênero, ou país, ou religião, etc.
E atualmente tem também a ditadura econômica neo-liberal, e diferentes bulas ideológicas engessadas. (o bicho tá pegando de todos os lados. Qualquer poder estabelecido pode endoidar, de uma hora pra outra, em qualquer canto.)
Fique ligado. Ajuste suas antenas pra todas as direções.
Mas lembre-se, e não esqueça: não estou pregando misantropia. Estou apenas constatando. Só isso. Tá certo?



A burguesia do nosso país é imbatível? O pessimismo conformista ou a cooptação propriamente dita dominaram a população tupiniquim? É impossível implantar um estado-de-bem-estar no Brasil, mesmo a médio e longo prazos? Se é assim, então teríamos que assumir publicamente uma provável CONCORDATA DA CIVILIZAÇÃO MESTIÇA?
Se é assim, então é melhor parar com esse papo ingênuo do elogio da mestiçagem e do “homem cordial” mestiço? Seria melhor botar o rabinho entre as pernas e inventar uma desculpa qualquer pra desistir e sumir? Ou se isolar numa caverna do Himalaia? Sem murros em pontas de facas? Sem lutas desesperadas nem angustiantes?
Eu sei que às vezes tudo parece uma sinuca-de-bico. Um nó-de-porco. Um beco sem saída. Como se não bastasse todas essas crises e desequilíbrios. E agora temos também, além das injustiças e corrupções surreais, uma piora considerável no efeito estufa, capitaneada pelo espalhamento do gás metano, surgindo do derretimento do gelo “eterno” nos extremos hiperbóreos. É choque térmico até altas horas. Um calor da “bixiga-lixa”. Eu mesmo não aguento mais. Tou à beira de um piripaque no tutano, ou um tremelique medonho no quarto chacra. E não vejo nenhuma luz no fim do túnel brasileiro.
Então, garotos, sinceramente mesmo: eu também penso em desistir, de vez em quando. E fico pensando que lutei inutilmente por distribuição de renda e liberdade individual; e escrevi dez livros que ninguém leu, sacrificando-me inutilmente pela literatura independente. E penso também que toda a minha luta foi um desperdício de tempo e energia. Que já atravessei a minha “via crúcis”, e agora é preciso que vocês me dispensem desta luta medonha, pois estou cansado e derrubado. Fraco e lascado.
Porém o lance mais fudido é o seguinte: se a gente parar de lutar, as consequências serão mais graves ainda. E aí tudo vai pra cucuia totalmente, de uma vez por todas. E as pequenas brechas, que ainda existem, vão desaparecer. E uma situação literalmente insuportável será instalada. Bem pior que a situação atual. Bem pior mesmo.
Então concluo que não posso parar de lutar. Nada resta senão continuar lutando. Mesmo que seja uma luta capenga. Mesmo que não haja maiores esperanças. Mesmo que as dúvidas angustiantes atormentem o meu cocuruto.
Pois é.



CANALHINHAS INDIVIDUALISTAS DISFARÇADOS DE ARTISTA TRANSGRESSOR:
Já abordei esse assunto, de passagem, em outros escritos, mas quero agora escrever um textículo específico sobre essa guerrinha cabiluda. (vou tentar resumir).
O primeiro detalhe é a disputa entre Marx e Stirner em torno do “anarco-individualismo”, também conhecido como “egoísmo filosófico”, ou ainda: “neo-cinismo”. Segundo Marx, os adeptos dessa doutrina seriam, em sua maior parte, originários de setores da intelligentsia pequeno-burguesa e do lumpenzinato em geral, incluindo artistas “desbundados”. Uma turma cujo “carma”, ou perfil mental cristalizado, estaria impregnado de um pendor irresistível para a cooptação pela burguesia insidiosa e traiçoeira, por debaixo dos panos, no calor da “bacurinha”.
E o Raul dizia assim, nos gloriosos tempos da herança thelêmica de Crowley: “Eu admito: você tá na pista. Eu sou ego. Eu sou egoísta.” Porém o Raul era apenas um garotão sonhador, um quixote juramentado, um peter-pan delirante, mas verdadeiramente desapegado, que acreditava nos sonhos irrealizáveis do anarquismo hippie, enquanto alguns espertalhões pseudo-filosóficos e “artísticos” aproveitavam capciosamente as raspas e restos dos corpos bonitos que sobravam do “amor livre” circunstancial, e bastante limitado, diga-se de passagem, nas décadas de Sessenta e Setenta.
Na atualidade, ainda são muitos os “lúmpens” e “neo-cínicos” que posam de artistas iluminados, ou místicos desapegados, sem ser, na verdade, nenhum dos dois, pra seduzir e engabelar mocinhas alternativas da classe média intelectualóide. Ou então não passam de medianeiros que acreditam que são gênios incompreendidos, invejando os melhores talentos alternativos, e projetando essa inveja sobre os verdadeiros talentosos, através do seu “carma” individual de “charlatãozinho” egótico, bem disfarçado. E geralmente também usam táticas sub-reptícias de conquista, com promessas indiretas de intermediar o sucesso pessoal no campo cultural “transgressor”, ou a glória individual artística e filosófica no mundo “alternativo-contracultural”.
Tem mais o seguinte: além de não serem desapegados nem iluminados, muitos deles permanecem à reboque de pequenos burgueses escroques, ou de burgueses propriamente ditos, por debaixo dos panos, em muitos casos, muitas vezes na dependência financeira de alguns “mecenas” desavisados ou dominados pelo papo bonito de vampirinhos “transgressores”, espertos e malandrecos.
PRA MIM CHEGA.
FUI.





Nem sempre a velha “ideologia eurasiana” coincide com a “teoria neo-eurasiana”. Putin é um caso à parte; e Zé Staline também. Pois há, nessa polêmica do novo expansionismo russo, inúmeras variantes de conservadorismo e neo-fascismo, e algumas chegam mesmo a ser “antagônicas”, pelo menos em certos aspectos pontuais. Nem sempre tártaros se juntam com eslavos ou vikingues. Sem falar no Patriarcado de Moscou, com a sua Igreja Ortodoxa, nem os diversos tipos de pós-modernismo à direita, misteriosos e impalpáveis. E às vezes essa fulerage parece um balaio de gatos raivosos, imprevisíveis, randômicos. Com uma baba raivosa escorrendo pelo canto da boca, e os olhos esbugalhados com uma vermelhidão vampiresca endiabrada.
Se o arcanjo Miguel está apoiando fascistóides ou supercapitalistas russos, eu não sei exatamente, mas há fortes evidências. Já os fascistinhas vermelhos, de antigamente, não parecem estar com essa bola toda na atualidade russa ou georgiana. Nem os herdeiros monarquistas do czar Nicolau. Pois é. Mas do meio dessa quermesse “caótica” pode sair qualquer troço ditatorial ou totalitário, ou neo-liberalóide, pra investir num novo expansionismo eslavo-tártaro, com uma fantástica fome de poder vampiresca, que poderá engolir o Cáucaso e um pedaço da Europa, ou mais. Principalmente agora que os lagos da Sibéria estão borbulhando metano, e as massas globalizadas abandonaram o leninismo, e voltaram pra Calvino e São Nicolau. É a vingança da merda do mamute siberiano, forçando os limites territoriais da Sombra coletiva eslava e, mais especificamente, dos pendores fascistóides dos machos eslavos e tártaros, com o apoio dos anjos guerreiros de Javé, obviamente, e também dos neo-liberais eurasianos de plantão. Evidencia-se.
Todo anjo é terrível”, já dizia o Rilke, e tinha razão.



Javé é um usurpador. Antes dele, já havia outros deuses na Cananéia. Ele chegou na Cananéia com os semi-nômades do deserto. Infiltrou-se, abriu uma “guerra civil” e derrotou os outros deuses. Daí pra frente, passou a dizer que não existe outros deuses além dele. É um deus totalitário. Ele é apenas um pequeno setor do universo, apenas um entre inúmeros “deuses” que surgem do nada cósmico, do plasma quântico, MAS QUER SER O PRÓPRIO UNIVERSO, ou mais do que o universo. Eis o “drama” cósmico de Javé, o fascistinha. E do seu meio-irmão Alá também. (dicotomia e poder totalitário).
Jesus tentou corrigir os pendores ditatoriais de Javé, mas subestimou o potencial humano para a malignidade, e morreu sem entender. Alguns “HERDEIROS” ideológicos de Jesus construíram um falso cristianismo que tornou-se hegemônico (devido à limitação perceptiva, ou por egotismo mesmo). O problema é que tem gente “desavisada” que acredita nesses falsos cristianismos, e se deixam dominar por falsos “cristãos”, por interesse em milagres e pequenas vantagens pessoais. Mas isso já é problema de quem se deixa dominar por milagreiros espertos. (os verdadeiros cristãos existem).



Truman Capote dizia sobre Jack Kerouac: “Ele não é um escritor. É um datilógrafo.”
Vamos admitir: é um desafôro da peste. Um descalabro da bobônica. Uma declaração de guerra. Mas eu vi, nos primórdios da década de 80, superdoutores dizerem que poesia marginal não é poesia. E diziam com muita convicção. De peito cheio.
Quer dizer: o amador sempre sou eu; o embusteiro. Os outros são profissionais. Sou eu quem sempre coloca a intuição acima da técnica, e isso é uma heresia inaceitável. Mas nós somos "obrigados" a pensar que as bulas engessadas são algo normal e recomendável para os nossos netos e bisnetos. É muito sapo-cururu pra ser engolido como o veneno mais doce e corriqueiro do mundo. Um sapão inchado anacrônico, superdoutoral e ultratecnicista, com o seu perfeccionismo "divino" e a sua incurável obsessão por "obras primas" e leitos-de-procusto. Um estilo excessivamente meloso e um enredo excessivamente alongado, enjoativo, mas que precisamos encarar e engolir como se fosse o auge da genialidade literária e metafórica. Profissionalíssima.
Convenhamos: na direção desse caminho, eu serei sempre, inarredavelmente, apenas um individualistazinho obcecado por experimentações formais e experiências pessoais incompletas, que mais atrapalham do que ajudam a massagear o ego das grandes e altas literaturas, pois a minha é apenas uma punhetinha experimental que nunca atinge o ápice dos grandes profissionais e homens sérios da literatura canônica ocidental.
Mas eu poderia dizer, parodiando Ginsberg: “Todo mundo é sério. Menos eu.” (mas não vou ousar dizer. Não vou perturbar o sonho altamente técnico dos grandes escritores. Me poupem.)
Então tá. Deixemos as intrigas poéticas e prosaicas no fundo do baú, ou embaixo do tapete, por mais corriqueiras que sejam, e cuidemos das nossas bulas egóticas generalizadas, e dos nossos pacotes artísticos que sonham transformarem-se em referências eternas e inquestionáveis. O curral dos outros. O inferno estreito e misoneísta dos outros.
Então tá.
FUI.



Vou comentar rapidamente, mais uma vez, sobre os diferentes tipos de ego. Vou falar de três deles:
1) EGO DE ARTISTA: é a famosa egolombra dos artistas obcecados por fama, e também costuma transmutar-se em inveja patológica, Mesmo quando se trata de almas dionisíacas, pois os dionisíacos também são humanos, e não são imunes aos riscos naturalmente humanos.
2) EGO DE BURGUÊS: conhecido como ganância neo-liberal ou neo-fascista: frequentemente transforma-se em um sanguinário ódio classista de cima pra baixo, e costuma provocar intoxicação mental e espiritual, também, em alguns coronéis, generais, juízes, políticos, pastores, midiáticos, etc, etc. (nos casos particulares e específicos, sem generalizar).
3) EGO DE DOUTOR: também conhecido como complexo de canudo ou egolombra doutoral, é uma síndrome típica das camisas-de-força ideológicas, misturadas com interesses econômicos maldisfarçados, e é típico de “medianeiros” que usam o exercício de poder para restringir as percepções daqueles que estão verdadeiramente interessados em ampliar os horizontes do conhecimento em geral.
Confesso, com toda a sinceridade do mundo, que não sei qual dos três é o pior. Eu realmente não sei. Às vezes penso que é um, e às vezes penso que é outro. É uma dúvida cruel. Até porque cada um tem a mania de botar toda a culpa nos outros. Ou seja: noventa por cento da vida “espiritual” de cada um destes egos é projetar sobre os outros as suas próprias merdas egóticas. Projeção inconsciente, em sua maior parte, diga-se de passagem. (QUANDO é consciente, então temos os casos “luciféricos” mais chocantes, principalmente quando um “luciférico” finge que é um anjo de luz, e muita gente acredita.)
Eu, hein??
Misericórdia. Misericórdia.



O meio-termo ainda é uma enorme dificuldade para a mente ocidental. Desde Aristóteles, com o seu unilateral “princípio da não-contradição”. O que temos visto no Ocidente, e seus satélites, com mais frequência, é a oscilação de um extremo para outro extremo, numa mesma bipolaridade, sem jamais conseguir manter uma posição intermediária entre dois extremos, “A” e “B”, vivenciando-os como contrários dualísticos que se alternam e nunca se aproximam, eternamente dicotômicos, ficando então descartada a possibilidade da união de opostos em camadas intermediárias. (o ego se alimenta de extremos na alternância de contrários).
No nível pessoal, um exemplo comum dessa dificuldade com o “caminho do meio” é a eterna alternância maniqueísta entre uma opção “normótica” e uma opção “desregrada”, sem jamais conseguir fixar-se em algum intermédio. Sendo assim, é comum vermos muitos jovens saindo de uma vida desgovernada e cheia de vícios para uma vida dominada por alguma espécie de moralismo puritano ou algum tipo de fundamentalismo normótico. E vice-versa.
Na minha trajetória de vida, vi alguns saírem da “contracultura” para o “pentecostalismo”, ou o contrário também: de alguma espécie de normose puritana para um individualismo desregrado. Pois foram poucos os que conseguiram manter-se num ponto intermediário, mesmo assim a muito custo, depois de muitas oscilações, até a conquista pessoal de um meio-termo, conseguido depois de muito esforço para expandir a consciência e aprofundar a visão interior, reduzindo maniqueísmos e dicotomias na vida mental.
Pois é.
E então?




Excesso de gastos estatais é um velho problema que a velha esquerda sempre se recusou a enfrentar com os olhos abertos, entre outros imbróglios específicos que a extrema-esquerda sempre “empurrou com a barriga” ou simplesmente recusou-se a discutir com lucidez e hombridade, sem atentar para os riscos de estrangulamento contábil.
A vampirização dos cofres públicos tem sido a regra, exercida por patrimonialistas que se “apossam” dos cofres estatais, ou por assalariados do serviço público que colocam seus interesses pessoais e corporativos acima do equilíbrio contábil das contas públicas. E então muitas vezes o próprio governo apela para a emissão de moeda sem lastro, com várias consequências nefastas, como o aumento da inflação ou um grande endividamento decorrente do excesso de gastos mal-direcionados, muitas vezes resultando em “falência” estatal.
Esse tipo de vacilo foi, inclusive, cometido por Ernesto Guevara e Rui Barbosa, dois grandes cérebros ideológicos. O primeiro quando era ministro da Economia, em Cuba. E o segundo quando era ministro da Fazenda, aqui no Brasil. Mas a dificuldade maior, na realidade brasileira, é a arrecadação PROGRESSIVA de impostos, e o direcionamento do dinheiro arrecadado para a base da pirâmide social, visando à melhoria da situação dos assalariados, investindo no aumento de empregos, dos avanços trabalhistas e da distribuição de renda em geral, mas dentro dos limites da responsabilidade fiscal, tomando muito cuidado com desonerações e isenções, ou com a mera distribuição de esmolinhas, por conta da esperteza de grandes empresários ou do "lumpenzinato" escroque.
Realmente são muitos os aspectos problemáticos que os radicais e ortodoxos estão sempre se negando a reconhecer e encarar, em nome da aplicação de uma bula dogmática que já evidenciou seus limites e engessamentos, resultando em desajustes na relação entre tática e estratégia; muitas vezes descambando para radicalismos infantis e precipitados, quase suicidas. E é muito difícil resolvermos um problema que a gente não consegue sequer olhar pra ele, reconhecer que ele existe e olhá-lo de frente, corajosamente, ao invés de negá-lo ou fingir que ele não tem importância, como é o caso, também, da insuficiência de desempenho nos locais de trabalho, em alguns setores da base produtiva em geral, resultante do comodismo e do relaxamento individual. Enfim: é preciso coragem pra enfrentar diversos detalhes estranguladores que a esquerda dogmática recusa-se a reconhecer, e que estão emergindo com mais força neste início de século 21, incluindo as divisões intestinas dentro dos diferentes campos da resistência ideológica e cultural.
Não é mesmo?



A literatura é uma punheta. Quem manda na vida é a política econômica. Nessa o Marx acertou. Errou noutras. Mas acertou nessa.
E não me venha com pacotes de “centro-centro” contextuais, desde sempre desviando e fugindo da concretude econômico-política, como o Diabo foge da cruz. E então vale qualquer troço subliminar, por mais indireto que seja, pra conseguir fugir mais uma vez da dura e crudelíssima realidade nossa de cada dia fudido e arrombado. Por mais bem elaborada que seja a gerência estilística e sintática da antiquíssima seara dos ilustres doutores pós-Harvard. Mas sem incluir o Timothy Leary na guerra civil. Nem extinguir a abordagem indireta, absolutamente simbólica ou metafórica, pois ela faz parte das contingências e costuras da totalidade cósmica, também.
Oh, pobre Timothy, ACOSSADO EM TODAS AS PARTES PELOS ENSANDECIDOS HERDEIROS da moral vitoriana ou do novo puritanismo fundamentalista, ocidental ou oriental. Oh, pobre rapaz.
Falando sério, sem fulerage: antes do próximo desvio misoneísta do complexo de canudo, por favor, não tentem desviar também, ou jogar pra debaixo do tapete, os aspectos mais problemáticos e terríveis da concretude cotidiana, sobretudo os da área sócio-econômica, pois os mesmos costumam virar pontos-de-estrangulamento, em momentos inesperados, e não devem ser desviados, ou "macerados", em nome de beletrismos ou formalismos despolitizados.
é bronca.
(Proust de cu é rôla.)




Eu não expulsaria o Foucault da UFPE, como fizeram os padres da PUCAMP. Pelo contrário: o velho secretário Zé de Lara serviria cafezinho para o professor libertário com bastante prazer. Confesso que tenho algumas pequenas divergências pontuais com o Michel, mas não chegam a estragar esta nossa tão sincera aproximação antiga, agora que estamos novamente na possibilidade de juntar setores neo-libertários e socialdemocratas-de-esquerda dentro de uma nova frente progressista tupiniquim, sem chance pra que as novas levas de neo-fascistinhas e neo-liberalóides consigam manipular detalhes contextuais tão complicados e ultracomplexos.
Mas há diferenças também, tanto táticas quanto ideológicas, como a impunidade de adolescentes periculosos, por exemplo. E veja que eu não colocaria a camisinha do monsenhor Caríssimo nessa discussão. Afinal, de revestrés, por terceiro, também somos colegas de trabalho. Eu no balcão da secretaria de curso, e ele na sala de aula: dois inferninhos altamente stressantes. (tenhamos um pouco da “solidariedade subjetiva de todas as espécies sofredoras”, como dizia o nobre poetinha conhecido popularmente como O DOIDO DA PARAÍBA.)
No entanto admito mais uma vez a necessidade de “vigiar e punir” adolescentes perigosos, ou melhor: periculosíssimos, quando são. Mas sem interferir na liberdade pessoal do Michel. E implantando progressividade nas penas. Sacou? (tou querendo dizer o seguinte, sem delongas: a "Desconstrução" também tem as suas limitações, como tudo que é humano.)
E então alguns efeitos colaterais, imprevistos, apareceram quando a noção de punição branda foi aplicada na realidade específica do Brasil, principalmente o reforço do sentimento de impunidade, até mesmo nos casos de crimes hediondos praticados por adolescentes. Mas eu sempre fico cheio de dúvidas, e inseguranças, na hora de botar qualquer "pitbul" no calcanhar da puberdade criminosa (quando realmente é). Embora às vezes, contraditoriamente, sinta uma vontade danada de fazer a eliminação física de certas "almas" sebosinhas, púberes ou adultas, ou trancafiá-las durante 30 anos, no mínimo.
Não sou bandido. Sou poeta. E quem resolve o carma dos outros é Jesus, e não eu.



Tou relendo “Eros e Civilização”, do Marcuse: em 2 de outubro de 2015, sábado, AGORA às onze horas da manhã.
É realmente um grande livro, embora o Marcuse tenha esquecido de fazer determinadas ressalvas específicas. Mas isso é outra história, que não desfaz a grandeza deste livro fora-de-série, apesar dos deslizes posteriores do sub-setor autodestrutivo da contracultura: e esse é um velho papo lascado da peste. (é tipo Fênix: sempre volta). Tem a ver com a tal da “perversidade” polimorfa e a exteriorização do “id”, famosíssimas, das quais tanto falam os mais geniais psicanalistas.
E observe bem: não estou querendo restringir a liberdade individual de ninguém, usando como argumento o “suicídio branco” quando se torna bandeira existencial. O papo aqui é outro. A guerra física está acontecendo do outro lado da rua. E quem quiser morrer jovem, fique à vontade. Numa boa. Porém eu mesmo só quero sair da Terra depois dos 75.
Mas a referida ressalva era o seguinte: era necessário enfatizar não apenas os riscos referentes aos excessos do “superego”, mas também, e mormente,  os riscos específicos dos excessos do “id”, que deveriam ter sido melhor detalhados e enfatizados, evitando o maniqueísmo mútuo entre os dois extremos, dentro do triângulo psicanalítico, e evitando também as brechas para que o desregramento autodestrutivo fosse visto como uma tática existencial de combate contra a normose burguesa puritana e a exploração capitalista
O Festival de Altamont, em 1969, evidenciou vários aspectos negativos do desregramento instintivo, em geral, com a emersão de diferentes tipos de individualismos “hedonistas” decadentes, incluindo alguns casos específicos de descontrole no instinto de poder, como os Hell Angels. Se não me falha a memória, o referido livro do Marcuse é da década de 50. Portanto no auge beatnik, e não hippie, cujo auge só acontecerá, propriamente dito, no início da década de 60. (os livros de História que especifiquem as datas, e não eu, pobre poetinha delirante.)
Contudo nunca esqueçam, mais uma vez, que o ego se alimenta de extremos, de um lado ou de outro, e não consegue ficar num meio-termo nem a pau.)
Pois é. Tenho dito. (e apôis???)



amor livre é uma quimera da década de 60. Não funciona na prática. por um motivo bem simples: o ego e a posse sempre falam mais alto quando o assunto são os corpos bonitos. (ninguém divide beleza externa com ninguém). Esse papo de dividir formosura com os outros não passa de uma conversa pra boi dormir: uma TEORIAZINHA QUALQUER, QUE NÃO FUNCIONA NA PRÁTICA.
o amor romântico é eterno. Não é um fenômeno datado, pois o “soft” das fêmeas é assim, é incuravelmente cinderélico, e é imutável. Não acredito em mulher liberada, nem em casamento aberto. Tudo isso são quimeras da década de 60.




Quando assimilo algumas bandeiras tradicionalmente defendidas pela direita ou pela esquerda, isso não quer dizer que eu esteja “fechando” com todo o pacote ideológico de uma ou de outra. Quando, por exemplo, trago pra minha “colcha-de-retalhos” bandeiras como pena de morte, maioridade aos 16 e porte de arma, isso não quer dizer que eu estou aderindo ao pacote ideológico da direita. Assim como, quando eu assimilo algumas bandeiras da herança libertária, isso não quer dizer que eu estou aderindo TOTALMENTE ao pacote ideológico anarquista. E outra coisa: nenhuma bandeira é panacéia, ou bula inquestionável, seja da esquerda ou da direita.




Um problema, bastante atual, é que tem gente esperta que, na verdade, não está lutando por igualdade. Está lutando apenas para substituir um poder por outro poder. Mas não tem coragem de assumir isso abertamente, e fica manipulando bandeiras “libertárias” pra disfarçar. E o que é pior: esse tipo de estratégia também é usado por alguns setores do feminismo radicaloide, impregnado de misandria. E também por alguns setores da luta anti-homofóbica, que acabam impregnados de heterofobia. Estão, na verdade, planejando substituir um racismo branco por um racismo negro. E um poder hétero por um poder homo. E substituir a misoginia pela misandria. Ou o machismo pelo cinderelismo. Ou o ocidentalismo pelo orientalismo. NÃO ESTÃO LUTANDO POR IGUALDADE.
Felizmente, aqueles que almejam, sorrateiramente, tais “avessos”, não são maioria dentro dos movimentos de resistência ideológica, existencial, social, étnica, sexual, ecológica, etc. Parece que a lucidez da luta por IGUALDADE está prevalecendo, ao invés da inversão para substituir um poder por outro poder. (Mas não vamos generalizar. É preciso avaliar caso a caso, com calma, sem precipitações.)




luz e treva são lados de uma mesma moeda. NÃO SÃO DUAS MOEDAS. apenas os lados se alternam e se misturam. Tudo existe aos pares. são díades. Amor e ódio são uma coisa só: uma bipolaridade. É dialético. (onde tem amor tem ódio. o tamanho do ódio é do tamanho do amor.)
Porém a criatura humana precisa usar o autogerenciamento para trabalhar uma hegemonia da luz sobre a treva, mas sem querer extinguir o ódio, ou seja: sem extinguir um dos pólos da “díade”. E também o seguinte: a treva tem a sua função, dentro da bipolaridade, dentro do jogo dialético: na dosagem certa, na hora certa. Mas tem que ser bem administrada pela consciência: pelo que Freud chamava de "autossublimação não-repressiva": força interior e discernimento intuitivo.



Agora não tenho mais dúvidas: no Brasil, distribuir renda é mais difícil do que ampliar liberdade individual. Ou pior: é a própria conjunção de fatores que é muito difícil de ser conseguida na prática. Isso quer dizer que a combinação dos diferentes tipos de luta é bem mais difícil do que supõe a nossa vã filosofia esquerdista e “alternativa”. E esta é uma cruel constatação (mais uma). O que existe, na prática, é muito imediatismo egótico e muito corporativismo nos diferentes campos ideológicos e interesses específicos. Por exemplo: combinar a luta ecológica com a luta de classes é extremamente complicado. O mesmo raciocínio vale para as outras lutas: étnica, de gênero, de orientação sexual, legalização das drogas, etc. O que vemos, NA PRÁTICA, é cada campo fechar-se em si mesmo, pelo menos até certo ponto, e dificultar a junção das diferentes áreas de resistência ideológica e existencial. É realmente lamentável, mas não é incurável. Vamos em frente. A luta continua.




Diferentes tipos de anarquismo também correm o risco de virar "bula". TAMBÉM. mas tem alguns aspectos específicos que podem virar "dogma". (alguns libertários e contraculturais acreditam, "religiosamente", que apenas as idéias dos outros podem virar dogma ou bula “ortodoxa” inquestionáveis.)
E então... aconteceu que alguns aspectos da herança alternativa estão virando bula ou "dogma", ou desviando a discussão de aspectos "fundamentais", como as relações de poder e os mecanismos de dominação, para aspectos “secundários”, como a ração dos gatinhos, por exemplo. E aí fica um pouco complicada a pregação libertária em alguns detalhes da atualidade (principalmente devido a efeitos colaterais imprevistos em realidades concretas ESPECÍFICAS). mas nada que desfaça a grandeza da herança “contracultural”.
Apesar de alguns efeitos colaterais, a Desconstrução será uma referência das mais importantes no século 21. Vamos em frente.



Colocar TODA a culpa nos políticos é burrice. OU esperteza. Conforme cada caso. O poder não é uma cúpula, o poder é uma teia, que inclui parcelas dos estratos altos, médios e baixos. Ficar apenas projetando uma postura unilateral ou APENAS jogando merda no ventilador, não vai ajudar (vai mais atrapalhar, confundir, desviar). Quem está interessado em desviar de um aspecto principal para um aspecto secundário? (a extrema-direita está incentivando o assassinato de TODOS os políticos. Mas os black-blocs TAMBÉM estão aconselhando essa eliminação física).
e aí?




O amor romântico é uma lombra muito perigosa. Está cheio de inconsciência e ingenuidade. Mas posa de “iluminação” romântica, e confunde bonomia com ingenuidade. “O que está por trás do amor romântico é ânsia de dominação em ambas as partes” (Jung). Mas não se trata de deixar de viver o amor ROMÂNTICO, principalmente porque ele é, realmente, um grande êxtase. Porém... é bipolar: céu e inferno, amor e ódio, paz e guerra. Pra vivê-lo de uma forma menos nociva, e menos perigosa, é preciso estar num nível quase sobre-humano de autopercepção e autogerenciamento: um nível tão alto que parece uma tarefa para “semi-deuses”, e não para símios auto-mitificadores. E tem mais: o macho liga o seu erotismo ao quinhão de beleza externa da fêmea, mas pra esta o amor romântico não depende desse quinhão, pois na sua cabeça, cinderélica, o amor está ligado a um encontro “espiritual” entre dois perfis mentais semelhantes. Os homens comem estética no corpo feminino. (Quem não mente, não ganha. E quem não ganha, não come.)




A noção de punição branda generalizada, ao ser aplicada no caso específico do Brasil, resultou no reforço do sentimento de impunidade de adolescentes com um perfil mental perigoso. Pra mim, atualmente, o conceito de puberdade inimputável, no Brasil, é insustentável. vai ser mesmo necessário repensar o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Sou contra a desmilitarização da polícia. Uma polícia desarmada não poderá enfrentar bandidos fortemente armados. O problema está na cabeça de quem usa a arma, e não na arma em si mesma. Portanto: faz-se necessário e urgente o treinamento adequado para quem usa arma, e uma boa bagagem cultural para os profissionais da segurança, em geral. A população também precisa desenvolver a capacidade de autocontrole para gerenciar o seu porte de arma.
Divinizar totalmente a paz e demonizar totalmente a violência: é, no fundo, uma intuição maniqueísta; um ponto de partida unilateral e dicotômico. A principal conseqüência dessa postura, como efeito colateral, é a incapacidade de se defender. Outro sub-produto dessa “dicotomia” é a generalização da punição branda (para todos os casos): isso acaba reforçando o sentimento de impunidade. Nem sempre violência gera violência: às vezes gera prevenção ou recuo.
Duas conseqüências do desarmamento: 1) O inchaço do mercado negro de armas, e o aumento do preço das mesmas. 2) O aumento da fragilidade da sociedade civil diante dos bandidos em geral, incluindo os bandidos de farda (a famosa banda podre): pra esta, é preciso uma corregedoria forte o bastante pra neutralizá-los. E quanto aos bandidos comuns, é preciso uma banda boa forte o bastante pra enfrentá-los. Mas é preciso também ter conhecimento, geral, o bastante pra diferenciar quem é e quem não é bandido.



Precisamos ter bem claro na cabeça: existe uma fronteira tênue entre a arte-da-bola, em si mesma, e as influências do meio sobre essa arte. Mas uma diferenciação tão primária não está sendo feita por certos intelectualóides, radicalóides e ortodoxos. Pois não se trata de extinguir o futebol, mas de transformar o meio que exerce influências sobre o futebol. Seguindo o raciocínio anterior: quem está pregando a extinção da arte-da-bola deveria, por similitude, pregar a extinção das quadrilhas juninas também. (NEM TODO MUNDO QUE GOSTA DE FUTEBOL É “ALIENADO”).






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