segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Microtextos



É bastante provável que a burguesia judiciária, e a cúpula do Poder Executivo Federal, consigam tornar Lula inelegível, ou até prendê-lo, com a ajuda da maior parte da mídia e do grande empresariado. Porém a blindagem do “campo majoritário petista” não seria a estratégia mais inteligente.
É necessário que cada partido reconheça seus erros, e corte na própria carne, onde houver provas. E procure novos nomes para futuras candidaturas, entre filiados que não estejam envolvidos diretamente em casos de propina ou corrupção (com provas).
Lula ainda é o candidato mais popular e carismático; porém uma “frente ampla” da esquerda democrática e da centro-esquerda não pode ficar na dependência exclusiva de seu carisma e popularidade. Até porque o objetivo principal, neste contexto atual, é a implantação de um “estado-de-bem-estar” A MÉDIO PRAZO, e não um “culto à personalidade”, de um líder reconhecidamente popular, mas cuja corrente interna petista fez uma guinada da “esquerda” para o “centro”, visivelmente.
Mas neste momento atual, específico, devido à relação de forças concretas, não é possível descartar algumas alianças pontuais e circunstanciais com setores da “centro-esquerda”, em torno de um programa “mínimo” nacional-popular, que neutralize, numa primeira etapa, o vampirismo neo-liberal e os pendores neo-fascistas da “direita braba” e da elite em geral, apontando para futuros avanços GRADUAIS e paulatinos, na direção de um esquema democrático-popular “à esquerda”, que precisará de uma boa diversidade de opções para futuras candidaturas, sem ficar na dependência exclusiva do carisma de A ou B.


Zé de LARA – 07/09/17



Truman Capote dizia sobre Jack Kerouac: “Ele não é um escritor. É um datilógrafo.”
Vamos admitir: é um desafôro da peste. Um descalabro da bobônica. Uma declaração de guerra. Mas eu vi, nos primórdios da década de 80, superdoutores dizerem que poesia marginal não é poesia. E diziam com muita convicção. De peito cheio.
Quer dizer: o amador sempre sou eu; o embusteiro. Os outros são profissionais. Sou eu quem sempre coloca a intuição acima da técnica, e isso é uma heresia inaceitável. Mas nós somos obrigados a achar tudo isso normal e recomendável para os nossos netos e bisnetos. É muito sapo-cururu pra ser engolido como o veneno mais doce e corriqueiro do mundo. Um sapão inchado, superdoutoral e ultratecnicista da gôta serena. Um estilo excessivamente meloso e um enredo excessivamente alongado, enjoadíssimo, mas que precisamos encarar e engolir como se fosse o auge da genialidade literária e metafórica. Profissionalíssima.
Convenhamos: na direção desse caminho, eu serei sempre, inarredavelmente, apenas um individualistazinho obcecado por experimentações formais e experiências pessoais incompletas, que mais atrapalham do que ajudam a massagear o ego das grandes e altas literaturas, pois a minha é apenas uma punhetinha experimental que nunca atinge o ápice dos grandes profissionais e homens sérios da literatura canônica ocidental.
Mas eu poderia dizer, parodiando Ginsberg: “Todo mundo é sério. Menos eu.” (mas não vou ousar dizer. Não vou perturbar o sonho altamente técnico dos grandes escritores. Me poupem.)

Então tá. Deixemos as intrigas poéticas e prosaicas no fundo do baú, ou embaixo do tapete, por mais corriqueiras que sejam, e cuidemos das nossas bulas egóticas generalizadas, e dos nossos pacotes artísticos que sonham transformarem-se em referências eternas e inquestionáveis. O curral dos outros. O inferno estreito e misoneísta dos outros.




O BOCA SUJA, O POETA MALDITO E O BOCA DO INFERNO.

A realidade brasileira é mais suja e infernal do que a literatura maldita. Lautreamont é uma criança inocente diante da nossa realidade cotidiana ultrajante e luciférica. As pornografias do maldito Gregório são uma piada inofensiva diante da superconcentração de renda e do falso moralismo hipócrita da cruel realidade tupiniquim, ou das diferentes injustiças perpetradas por setores do “vitorianismo” bíblico. Porém... eu jamais usaria esse luciferismo disfarçado, esse simulacro enjoativo, como desculpa pra sair dizendo putarias e pornofonias na cara de qualquer um, em qualquer lugar e em qualquer momento. Na literatura sim, eu uso termos chulos, mas no trato pessoal não (com raríssimas exceções “na hora da raiva”). Na arte sim, mas no convívio pessoal não (com raríssimas exceções “na hora da raiva”). Mesmo assim, mesmo usando o coloquial chulo em algumas passagens, eu reconheço a necessidade de avisar ao leitor que determinada literatura é imprópria para menores de 16 anos (ou 18, se for o caso). Nenhum leitor deveria sentir-se na obrigação de ler o que ele não está a fim de ler, seja “marginal” ou “canônica” a referida literatura. A decisão é dele. Nas Artes Visuais, em geral, reconheço que seria mais lúcido demarcar “territórios” e horários específicos. Salas específicas e horários específicos. (o risco de traumatizar uma criança, ou de “má” influência em pré-adolescentes, ao invés de estimular a visão crítica, é um risco que reconhecidamente existe, é uma possiblidade que não deve ser descartada “a priori” quando planejamos um determinado conteúdo para uma bora de arte).
No entanto... assistir ou não assistir é decisão exclusiva do público adulto e responsável, do “telespectador” lúcido e consciente. É decisão pessoal que não deve sofrer interferência de nenhum poder estabelecido em cada contexto.
Pornografia é uma discussão difícil, truncada; principalmente porque ela tem um lado de coisificação da fêmea, é verdade. Mas tem o lado da liberdade individual também, do livre arbítrio. Não devemos censurá-la, a pornografia, uma vez que é em nome da liberdade individual que algumas pessoas a exercem. O que faço é apenas desvelamentos da realidade concreta, interna e externa. Onde exponho vísceras da “condição” humana como ela realmente é; (é preciso muita coragem pra expor essas “vísceras”, pois a solidão ou a perseguição, frequentemente, são usadas pelos “normóticos” como punição existencial contra os transgressores ou rebeldes: as mulheres são as primeiras que se afastam, e com razão.)
Tem outro detalhe interessante nessa história: dizem, as más línguas, que a maioria dos pornógrafos não são pornófonos. E eu sempre desconfiei disso. Faz sentido. Já que tudo que for descarregado no “papel”, ou no computador, ou no palco, não precisará ser descarregado no dia-a-dia. A luta contra a moral burguesa oitocentista (vitoriana, puritana, “védica”, abraâmica, etc) deixou muita gente desnorteada, transtornada, atormentada, desmiolada (desde a Belle Epoque). Mas alguns conseguiram constatar que o grande lance não era alternar, simplesmente, do puritanismo “ocidental” para a depravação irresponsável. E alguns “piraram”, reconheçamos. Ou caíram em alguma variante de maniqueísmo dicotômico irresponsável ou autodestrutivo, através da recusa total de tudo que exalasse o menor cheiro de academicismo ou normalidade repressora.
Nem todo coloquial é chulo. Há um coloquial sardônico que não é, propriamente, um fescenino agressivo ou abertamente “depravado”. Mas a herança canônica e acadêmica sempre cultivou uma grande ojeriza em relação a qualquer tipo de coloquialismo, como parte de algumas limitações no estilo, no formato e no conteúdo, mais típicas do mundo acadêmico e canônico, incluindo também alguns limites ideológicos e “existenciais”, como forma de preservar uma suposta “pureza” e superioridade linguísticas ou evitar a ultrapassagem de determinadas fronteiras político-econômicas.
Na “pós-modernidade”, tornou-se bastante frequente o uso de uma escatologia despolitizada, sem teor crítico ideológico, ou insuficiente, que não deixa de ser uma variante de “arte pela arte”, às avessas, pois é assemelhada a uma postura de anti-arte que prioriza “a merda pela merda”. Não esqueçam que a anti-estética é também uma estética.
Há outros autores que narram grandes depravações em estilo exclusivamente clássico, absolutamente “higiênico”, sem usar um único termo chulo em setecentas páginas. (o Nabokov, por exemplo, no romance “Lolita”). Esse tipo de escritor parece-me estranhamente contraditório, ou no mínimo inautêntico, ou suspeito. Até porque esses tipos costumam julgar a maior parte da literatura não-canônica como um literatura de quinta categoria ou absolutamente desprezível, pra não dizer descartável. Falar de sexo e merda, ou do lixo em sentido geral, ou de aspectos escatológicos repulsivos, sem usar um único termo chulo, é realmente o auge do puritanismo “celestial”, ou de algum escapismo pra alguma torre de marfim da Linguística ultraintelectual, longínqua, inacessível para todos os que estão “à margem” da elite genial, bem longe das cruezas reais e literais do nosso cotidiano arrombado e fudido.
É demais pra mim. E eu tou cansado de repetir.
FUI.


O CAOS COMO ATALHO PARA A TOMADA DE PODER.
A paralisação da economia é uma estratégia para facilitar um “assalto” ao poder, premeditado pelo capitalismo pós-industrial. A crise política, no Brasil, tem mais influência no degringolo da situação atual do que a crise especificamente econômica, que também existe, mas começou nos EUA com a tão badalada especulação imobiliária e financeira, e depois espalhou-se para os outros países, num tipo de efeito dominó. E há uma crise ambiental também.
Porém a crise POLÍTICA, no Brasil, planejada por antecipação pelos capitalistas vampirescos, tem sido usada, sorrateiramente, pra fragilizar o atual governo, impedindo a aprovação de medidas econômicas PROGRESSISTAS, e assim acusar o governo dilmista de incapacidade política e administrativa, catalisando a fragilidade da situação, e usando-a como desculpa pra implantar medidas de cunho neo-liberal, e depois acusar o governo de querer fazer o que os neo-liberais planejam implantar. É uma tática quase fascista. (Lembrem que esta tática é típica do mundo fascistóide: acusar os outros de fazer o que eles, os fascistinhas ou neo-liberais, já estavam fazendo sorrateiramente.)
E assim o desabastecimento, ou o caos, ou uma extrema concentração de renda, ou uma hiperinflação artificial, podem ser usados como “desculpa” para a articulação de algum tipo de golpe: militar, jurídico, financeiro, civil, etc. Seria uma tramóia funcionando capciosamente, por debaixo dos panos, num primeiro momento, até a emersão indisfarçável num segundo momento, quando as forças progressistas já não teriam capacidade para resistir ao “cerco prolongado” na sua fase final. E então a alta burguesia pode aparecer como salvadora da pátria, com um discurso de “novo capitalismo” ou “neo-fascismo disfarçado”, como solução para o “caos” que ela mesma premeditou sub-repticiamente. Então aqui já estaremos no auge da decadência vampiresca ultraburguesa, de uma barbárie neo-liberal indescritível e sem par.

Zé de LARA – 15/04/16




DIVINA ARTE

Sinceramente: já estou mesmo cansado de falar sobre arte autofágica. Mas é impressionante como há sempre novas nuances pra serem abordadas. Por exemplo: no campo da separação entre a arte e o todo, ou na velha tática de usar a criatividade artística como subterfúgio para esconder “más” intenções, ou no velho esquema de afirmar que a arte é mais importante que a vida em suas diferentes facetas (inquestionabilidade e endeusamento com “segundas” intenções). Os objetivos escusos (por trás da divinização e da autofagia) podem ser de vários tipos: cooptação indireta por esquemas políticos vampirescos e predatórios, excessiva compartimentação como desidério para impedir ampliações perceptivas críticas, apego a falsas luminosidades artísticas “cegantes”, uso da fama como veneno doce para atrair cérebros vendáveis, manutenção das massas num patamar cultural baixo (insuficiente porque é também auto-ilusório), entre outros. Aqui poderíamos incluir uma determinada concepção de cultura que exclui aspectos como: relações de poder, mecanismos de dominação, modos de produzir, estratégias para ampliação da visão crítica, mutação interior, etc. Ou seja: o que é oferecido às massas são simulacros culturais, repetição de factóides, concepções ingênuas e acríticas, caricaturas inofensivas, arte superficial. Tudo isso sob invólucros artísticos e culturais. E o artista, muitas vezes, desavisado ou má-intencionado, vai a reboque dessas manipulações que usam fachadas “brilhantes” para atuar como maquinações que impedem a expansão da consciência em suas diferentes direções. Mas a vida é bem maior que esses esqueminhas cegantes (dionisíacos ou não). E frequentemente extrapola qualquer manipulação mascarada de arte e “cultura”. A multipolaridade imprevisível está sempre à espreita: grandes esquemas de dominação, inesperadamente, às vezes desmoronam como castelo-de-cartas em meio a ventanias imprevisíveis: “deuses” vêm e vão, são aves de verão. Poderes vêm e vão, são aves de verão. Simulacros vêm e vão, são aves de verão.



Os blanquistas imaginam que basta seu desejo de saltar as etapas intermediárias e os compromissos circunstanciais para que a coisa esteja feita, e acreditam firmemente que "a coisa arrebenta" num dia desses, e o Poder cai em suas mãos, e o "comunismo será implantado" no dia seguinte.
(Engels. 1874. citado por Lênin.)

Preparar uma receita ou uma regra geral ultra-extremista para todos os casos é um absurdo. É preciso ter a cabeça no lugar para saber orientar-se em cada caso particular.
(Lênin)

O erro dos espartaquistas alemães consistiu em negar-se a participar no parlamento democrático e nos sindicatos cooptados, que foi um erro manifestado em múltiplos aspectos dessa doença infantil do "esquerdismo" extremista, transformado em regra para todos os casos.
(Lênin)

Enquanto não temos forças acumuladas o bastante para modificar o parlamento burguês, ou qualquer outra organização reacionária, devemos atuar dentro dessas instituições, para ajudar na politização dos setores mais atrasados das classes assalariada e campesina.
(Lênin)

Em cada contexto específico, a crítica deve dirigir-se não contra a atuação parlamentar, mas sim contra os que não querem utilizar as eleições e a tribuna parlamentares para aumentar gradualmente a influência da “esquerda”, constituindo um trabalho paciente e fecundo, para educar politicamente as massas trabalhadoras, orientando-as na situação política contextual para compreender as tarefas complexas que decorrem de cada situação específica.
(Lênin)


Excesso de gastos estatais é um velho problema que a velha esquerda sempre se recusou a enfrentar com os olhos abertos, entre outros imbróglios específicos que a extrema-esquerda sempre “empurrou com a barriga” ou simplesmente recusou-se a discutir com lucidez e hombridade, sem atentar para os riscos de estrangulamento contábil.
A vampirização dos cofres públicos tem sido a regra, exercida por patrimonialistas que se “apossam” dos cofres estatais, ou por assalariados do serviço público que colocam seus interesses pessoais e corporativos acima do equilíbrio contábil das contas públicas. E então muitas vezes o próprio governo apela para a emissão de moeda sem lastro, com várias consequências nefastas, como o aumento da inflação ou um grande endividamento decorrente do excesso de gastos mal-direcionados, muitas vezes resultando em “falência” estatal.
Esse tipo de vacilo foi, inclusive, cometido por Ernesto Guevara e Rui Barbosa, dois grandes cérebros ideológicos. O primeiro quando era ministro da Economia, em Cuba. E o segundo quando era ministro da Fazenda, aqui no Brasil. Mas a dificuldade maior, na realidade brasileira, é a arrecadação PROGRESSIVA de impostos, e o direcionamento do dinheiro arrecadado para a base da pirâmide social, visando à melhoria da situação dos assalariados, investindo no aumento de empregos, dos avanços trabalhistas e da distribuição de renda em geral, mas dentro dos limites da responsabilidade fiscal, tomando muito cuidado com desonerações e isenções, ou com a mera distribuição de esmolinhas, por conta da esperteza de grandes empresários ou do "lumpenzinato" escroque.
Realmente são muitos os aspectos problemáticos que os radicais e ortodoxos estão sempre se negando a reconhecer e encarar, em nome da aplicação de uma bula dogmática que já evidenciou seus limites e engessamentos, resultando em desajustes na relação entre tática e estratégia; muitas vezes descambando para radicalismos infantis e precipitados, quase suicidas. E é muito difícil resolvermos um problema que a gente não consegue sequer olhar pra ele, reconhecer que ele existe e olhá-lo de frente, corajosamente, ao invés de negá-lo ou fingir que ele não tem importância, como é o caso, também, da insuficiência de desempenho nos locais de trabalho, em alguns setores da base produtiva em geral, resultante do comodismo e do relaxamento individual. Enfim: é preciso coragem pra enfrentar diversos detalhes estranguladores que a esquerda dogmática recusa-se a reconhecer, e que estão emergindo com mais força neste início de século 21, incluindo as divisões intestinas dentro dos diferentes campos da resistência ideológica e cultural.
Não é mesmo?



MAIS UMA POLÊMICA SANGUINÁRIA NA MINHA VIDA.
No Brasil, preto é preto, e marrom é marrom. É a vida como ela é, aqui. A REALIDADE.
“O purgatório é aqui”, já dizia “Riobaldo Taturana”, o alterego de Guimarães Rosa. Todo mundo faz suas filtrações ideológicas, de um tipo ou de outro, mas fazem. Todos: marxistas, anarquistas, cristãos, centristas, pretos, brancos, homos, héteros, semitas, germânicos, tupis, etc, etc, etc.
Por exemplo: os machos brasileiros preferem as brancas. A grande maioria desses machos. Ou então mulatas claras, ou no máximo ”médias”. Dificilmente pretas propriamente ditas. E não é principalmente por conta da discriminação classista, embora esta continue existindo. É porque acham mesmo a pele branca mais bonita. Outro exemplo: Nilo Peçanha era mulato (haja “photoshop”). Se fosse preto, propriamente dito, certamente não o deixariam assumir a presidência. Duvidam?? (Tem também os ecoxiitas pseudopacifistas que estão guinando à direita, aos montes: estes costumam dizer que a ração dos gatinhos é mais importante do que as relações de poder e de produção). Eu, hein??
E agora são muitas as notícias sobre homossexuais neo-fascistas emergindo na Net. Atualmente. Sem falar nas fofocas antigas. Dizem, as más mínguas, que havia pequenos grupos de homossexuais, clandestinos, dentro do Partido Nazista e entre os mussolinistas também (o Pasolini chegou a retratar um grupo desses no filme “120 dias de Sodoma”).
Negócio seguinte, m’ermão: se você tem medo da solidão ou da guerra, NÃO FALE A VERDADE. Porque diferentes tipos de patrulhas ideológicas podem decidir planejar a sua eliminação física num piscar de olhos. Fique fazendo suas demagogiazinhas disfarçadas de AVANÇO “LIBERTÁRIO” ou marxista. É normal, NO BRASIL. Todo mundo faz. Não desenvolva um sentimento de culpa além dos limites do velho patriarcado neo-liberal ou neo-fascista. Nem faça autocensura disfarçada de autocontrole “iluminado”. A concepção da vida admite, JÁ DISSERAM.
Parecem políticos, todos eles. Esses avançadinhos pequeno-burgueses, ou não. “Aí varêia”, já dizia o Didi Mocó. Mas o único político daqui sou eu: o tabaréu otário, o sonhador incurável, o don quixote da tabaquice sertaneja confundida com “bonomia”. A “Cassandra” do Recife. Eu: incuravelmente afundado no pessimismo conformista, ou no anarco-individualismo suicida, pra disfarçar a minha cooptação “à direita”. Ou um capitão-do-mato, de um tipo ou de outro. O “Félix Chachá” do Recife.
EU, HEIN??






Artistas burgueses “dionisíacos” ou “psicodélicos” são burgueses como outros burgueses quaisquer.
O primeiro lance é diferenciar “artista com fama” e “artista sem fama”: são duas condições existenciais bem diferentes. (todo mundo sabe que o artista que fizer, na sua arte, sérios questionamentos das relações de poder e dos mecanismos de dominação ficará “de fora” das benesses da grande mídia, do dinheiro e da glória individual: SABEMOS.)
Por que um artista com perfil mental dionisíaco ou psicodélico jamais se tornaria um burguês?? O dionisismo e a psicodelia, a priori, travariam o ego destas criaturas antes de qualquer emersão da ganância e da vaidade pessoais??
O segundo lance é repetir, sempre, que não estou defendendo uma arte prioritariamente atrelada à ortodoxia marxista ou anarquista estereotipada. (nunca é demais repetir: pra efeito didático.)
E de repente vem pra cima de mim um bando de “andorinhas” capciosas e “mariposas” miríficas globais pedindo minha cabeça e meu escalpo. Como se eu fosse político ou sindicalista. Ou burguês. (é pra se lascar.)
E tem também os radicalóides ditatoriais e os sonhadores delirantes no meu calcanhar. Também querem minha cabeça e meu escalpo. Ou seja: tou no meio de um fogo cruzado fuderoso: quem achar que é fácil, então experimente NA PRÁTICA, lá onde a porca torce o rabo e a cutia começa a “assubiar”.(é pra se arrombar.)
Vou repetir mais uma vez: não sou político. SOU POETA, e prosador. Escritor menor: sem fama e sem dinheiro. Tenho perfil mental de artista, e não de “gerente”. FAÇO POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA POR NECESSIDADE DE SOBREVIVÊNCIA.
me poupem!!!



MUTUCAS E CARAPANÃS

O dicionário Aurélio, o antigo, registra o termo “carapanã” como de origem tupi e como sinônimo de mosquito pequeno. Mas eu sei que existem carapanãs enormes e cabeludos, bem pretos, tão grandes de dar medo só de olhar pra eles. Eles são mesmo terríveis. Passei por poucas e boas, ao lidar com eles, nessa minha vidinha de “amante” da natureza (obviamente eu tinha uma visão ingênua da natureza, uma limitação perceptiva, pra usar outros termos): eu estava a reboque de visões infantilóides do tipo: a realidade é linda, tudo é belo, tudo é amor, o universo tem apenas positividades e nenhuma “negatividade”, etc, etc. Vocês sabem. Quanto às mutucas, não resta mais nenhuma dúvida.
Bom, quando eu morava no bairro de Dois Irmãos, convivi com uns carapanãs do tamanho de um botão. Mas os maiores que eu já vi, até hoje, foram uns que apareciam nas reuniões do Santo Daime, em Aldeia (Camaragibe). Esses sujeitos são capazes de furar até calça jeans (por favor, acreditem). Nas sessões, era preciso passar um creme repelente em TODO o corpo. Em Dois Irmãos, eu usava um repelente elétrico, que espanta mas não mata. Mesmo assim, alguns amigos do mundo “alternativo” tentaram me acusar de estar maltratando os coitadinhos dos carapanãs, e de estar usando uma química cancerígena terrível. A acusação não vingou, pois era um exagero evidente. Foda mesmo era tentar escrever à noite, quando eu não tinha dinheiro para comprar repelentes, de nenhum tipo. Era literalmente impossível suportar mais de meia hora daquele ataque infernal. Mas se a vida do escrevinhador tivesse apenas essa agonia, seria fácil escrever. Sabemos que há outras agonias bem maiores que essa na vida dos escritores. Já falei muito sobre elas. Não vou repetí-las aqui (eu ando muito repetitivo ultimamente, reconheço).
E então eu desistia de escrever. Ia pra rede, vestia uma camisa de mangas compridas. Botava o ventilador embaixo da rede, me cobria todo com um lençol grosso, e ficava escrevendo mentalmente. Depois, nos outros dias, se eu me lembrasse do que escrevi dentro da cabeça, tudo bem, eu repassava pro “papel”. Mas se eu não me lembrasse, estava tudo perdido para sempre.



PAZ &CARIDADE

Há dois tipos de caridosos: 1) O “ingênuo”, ou alienado, que acredita piamente que a caridade, em si mesma, é algum tipo de panaceia espiritual e social, utilizando-a como uma massagem no ego pra atenuar o sentimento de culpa e a crise de consciência: um ópio psicológico (enganar a si mesmo é mais fácil do que a gente pensa). 2) O “esperto”, ou conformado por convicção, que faz caridade para não lutar por transformação social, e usa a atitude caridosa como um álibi para enganar o seu “público” e posar para a coletividade como um tipo mental altamente evoluído e desapegado.
Obviamente não se trata de negar a importância da caridade: ela tem uma função no todo social, como atenuante das consequências do excesso de concentração de renda. Mas é preciso, também, alertar para os casos em que ela é manipulada como um substituto da luta maior por mudanças sociais mais profundas.
Acontece algo semelhante na dicotomia entre a paz conformista e a violência responsável, direcionada especificamente para a autodefesa e a luta por transformação sócio-econômica. E então a “cultura de paz” é usada, sorrateiramente, para incentivar o conformismo ideológico-existencial e a cristalização de modelos econômico-políticos altamente concentradores de renda e poder, pela via do escapismo ou da “cooptação”, em alguns casos específicos. E há também a própria dicotomia mental, subjetiva, mais frequente na herança ocidental, que estabelece uma separação maniqueísta e irreconciliável entre a paz absoluta e a violência necessária, evitando a alternância e a mistura entre os dois lados supostamente “contrários”, que são lados de uma mesma moeda, uma bipolaridade e uma infinidade de “pares de opostos”, entrelaçados dentro da teia cósmica, um fenômeno esmiuçado pela filosofia “alternativa” e campos do conhecimento não-positivista, embasados em fatos e evidências que emergem das multipolaridades cósmicas.
O risco maior, então, é a cristalização de uma postura mental extremamente maniqueísta e dicotômica, que endeusa totalmente a paz absoluta e demoniza totalmente a violência necessária (direcionada para a legítima defesa e para a luta por mudanças sociais e existenciais ampliadas).



A ênfase principal deve ser na liberdade individual, e não no SUICÍDIO BRANCO (que é semelhante ao que Freud chamava “pulsão de morte”). O pendor autodestrutivo descontrolado é um “acidente” que não deve ser transformado em bandeira cultural e existencial. Sejamos compreensivos com aqueles que não suportaram as dores da vida, e caíram na autodestruição caótica. Ninguém quer ver um filho seu numa situação dessas. Na verdade, a maioria dos que defendem essa bandeira são BANDIDINHOS INDIVIDUALISTAS DISFARÇADOS DE ARTISTAS TRANSGRESSORES. Todo esse bate-boca é semelhante ao do Marx contra o Stirner. Os próprios anarquistas politizados tinham também uma enorme desconfiança em relação ao Stirner, pois farejavam, ali, um pendor egótico indisfarçável (pra quem tinha um mínimo de percepção crítica ampliada). Com a chegada da contracultura nos anos 60, infelizmente a ala autodestrutiva (neo-decadentista) aumentou a sua influência. Mas esses problemas, esses “pontos-de-estrangulamentos”, vão sendo, aos poucos, paulatinamente superados (“o tempo-rei vai dissolver as velhas formas do viver”).



Um problema, bastante atual, é que tem gente esperta que, na verdade, não está lutando por igualdade. Está lutando apenas para substituir um poder por outro poder. Mas não tem coragem de assumir isso abertamente, e fica manipulando bandeiras “libertárias” pra disfarçar. E o que é pior: esse tipo de estratégia também é usado por alguns setores do feminismo radicaloide, impregnado de misandria. E também por alguns setores da luta anti-homofóbica, que acabam impregnados de heterofobia. Estão, na verdade, planejando substituir um racismo branco por um racismo negro. E um poder hétero por um poder homo. E substituir a misoginia pela misandria. Ou o machismo pelo cinderelismo. Ou o ocidentalismo pelo orientalismo. NÃO ESTÃO LUTANDO POR IGUALDADE.
Felizmente, aqueles que almejam, sorrateiramente, tais “avessos”, não são maioria dentro dos movimentos de resistência ideológica, existencial, social, étnica, sexual, ecológica, etc. Parece que a lucidez da luta por IGUALDADE está prevalecendo, ao invés da inversão para substituir um poder por outro poder. (Mas não vamos generalizar. É preciso avaliar caso a caso, com calma, sem precip



Loucura patológica, propriamente dita, não é saída. É bronca.
existem alguns tipos de alteridade psíquica que são confundidas com loucura patológica. Mas, na verdade, são semi-loucuras não-patológicas, ou apenas medianamente “patológicas”, e também administráveis pelo “eu consciente” através da autopercepção e do autogerenciamento. A herança contracultural, equivocadamente, deduziu que a loucura patológica não é nociva. Mas a pesquisa sobre os estados mentais patológicos é um processo de longo prazo que ainda necessita de alguns pequenos ajustes.



OS CAFUÇUS E AS DONZELAS CASAMENTEIRAS.
Agora, aos 55 anos, tou profundamente convencido de que os cromossomos e hormônios influenciam a vida erótica e mental, das mulheres e dos homens, bem mais do que todos nós queremos admitir. E essa é uma constatação extremamente preocupante. Tenho a séria impressão que o amor romântico possessivo é pré-definido nas entranhas dos genes e dos memes femininos. E então... somente com um nível muito alto de autopercepção e visão ampla seria possível, para uma fêmea, conseguir administrar seus pendores “naturais” de uma forma mais livre e menos “caseira”. Seria sobre-humano. (A obsessão por um mesmo homem, na grande maioria dos casos, é bem mais forte do que o esforço pra libertar-se da gaiola caseira. Às vezes assemelha-se a uma tatuagem psicológica irremovível.)
Parece mesmo que a biologia influencia mais do que a cultura, no caso do amor romântico feminino, embora o mesmo seja resultante de uma mistura de influências biológicas e culturais onde o percentual de cada uma é muito difícil de ser quantificado na relação entre genes e memes (a Genética e a Memética misturadas num esforço de conhecimento desesperado e infrutífero, contra um “soft” que parece imutável).
Nem tudo pode ser explicado apenas pela “lavagem cerebral” perpetrada pelo velho patriarcado dentro dos lares que são núcleos de reprodução do falso moralismo e da ideologia burguesa, onde os interesses imediatos do ego individual de cada cônjuge e a reprodução dos genes familiares sempre falam mais alto, centrados nas necessidades materiais do futuro da prole. Mas aqui é preciso fazer uma ressalva muito importante: não se trata de extinguir a família, e sim de REDIMENSIONAR a família. E essa família REDIMENSIONADA é um alvo muito difícil de ser atingido, mas não é impossível. (não estou falando de casamento aberto).
“Arranjar um marido é uma arte, porém mantê-lo é um trabalho, árduo.” (Simone de Beauvoir).
Os cafuçus recifenses da década de 50 cunharam algumas frases terríveis. Eis duas delas: 1) “mulher tem prazo de validade”. 2) “o carro é setenta por cento da conquista”. Destas duas frases tenebrosas é fácil deduzir que o quinhão de beleza externa, na fêmea, e o quinhão de poder (ou dinheiro), no macho, são fundamentais na dinâmica interna do amor erótico. As exceções são raras, raríssimas. Quando a beleza externa feminina acaba, e os sonhos desmoronam, em muitos casos acontece de as fêmeas afundarem numa misandria horrível. E os homens, simplesmente, vão continuar tentado seduzir as “bonitas-e-gostosas”, com a misoginia dando as cartas a partir das profundezas do “id”, manipulando o ego, invisivelmente, a partir “de dentro”. Eis a triste e cruel realidade. A vida como ela realmente é, na grande maioria dos casos: EGO E POSSE. (Tenho a séria desconfiança de que é praticamente impossível uma mudança de HEGEMONIA do amor romântico para o “amor livre”. Nenhum macho divide beleza externa com outro macho.)
Os hippies tentaram a desvinculação entre luxúria e dinheiro, mas fracassaram. A luxúria tem uma dependência direta da beleza externa feminina. Nenhum macho “come” feiúra física numa fêmea: eles não se excitam com corpos femininos feios (sem um mínimo de formosura). Os homens devoram estética no corpo das mulheres. Aqui no Brasil, mesmo sendo um país politicamente depravado, a resistência cultural “alternativa” foi em vão. O amor romântico e a concentração de renda continuam hegemônicos. Os interesses da família “normal” e burguesa parecem imbatíveis, e uma boa parte do povo foi cooptada. E então a cooptação generalizou-se até a base da pirâmide social, alicerçada em interesses imediatos de sobrevivência ou riqueza. E o que é pior: evidencia-se, cada vez mais, que a cognição “mestiça”, na grande maioria dos casos, não consegue ir além dos limites existenciais e mentais da “normose” contextual e de certa limitação perceptiva, atualmente generalizadas e hegemônicas. Parece uma concordata coletiva, aceita pela maioria conformista e corrompida. (ninguém consegue dormir com um barulho desses).
CRUDELÍSSIMO.
CRUEL. CRUEL. CRUEL.



FÊMEAS.

Vocês não precisam fingir.
Esconder. Disfarçar.
Empurrar com a barriga.
Jogar pra debaixo do tapete.
Nosso país ainda é democrático.
E vocês podem chegar em público
e dizer abertamente:
“o que eu quero é amor romântico
com fidelidade”.
PRONTO. ESTÁ DITO.
Está colocada a gaiola de ouro.
Publicamente.
Qual é o problema??
Vocês não precisam fingir
que são liberadas.
Estamos num ambiente verdadeiramente democrático.
Vocês não precisam pescar machos no
campo dionisíaco.


PSEUDO-CAFUÇU

Nem tudo é machismo. É preciso mais atenção em determinados detalhes. Refletir mais. Investigar mais. Expandir mais a percepção. Saindo um pouco do umbigo ideológico e do imediatismo das avós-coruja.
Há machos que parecem cafuçus mas não são cafuçus. Então é preciso ter um certo cuidado pra não se precipitar nas conclusões. Avaliar com mais lucidez. Saber diferenciar os detalhes.
Por exemplo: masculinidade natural não é característica de cafuçu. Pois este caracteriza-se mais pelo “cinismo” e pelo erotismo “invasivo”.
E a “rudeza”, quando é excessiva, também não é natural: é prolongamento do “ego” inflado.
Tá certo??


DEBATE BOM.

Os melhores debates geralmente acontecem nas mesas-de-bar. O problema é o risco do álcool subir para o sétimo chacra. O que torna esses debates mais perigosos do que os debates tradicionais. Porém são mais estimulantes.
Eu ainda prefiro as mesas de bar para os debates mais interessantes, e não os auditórios e os esquemas repetitivos do mundo acadêmico estreito e castrador, apesar do risco de brigas ser menor.
Mas briga tem em todo canto. Nas academias também tem brigas: sanguinárias guerrinhas epistêmicas e ideológicas.
Onde não tem??


DISFARCE

Ainda tem muita gente insistindo nesse papo de Qualidade Total.
Mas...
uma cooperativa horizontalizada é bem diferente de uma empresa administrada com um esquema de Qualidade Total.
Abranger todos os envolvidos no gerenciamento de um determinado produto, incluindo uma parte do público-alvo, nem sempre quer dizer que a orientação geral será horizontalizada, ou que haverá desconcentração de poder e distribuição de renda. Na verdade, é um esquema para aumentar a produção e o lucro, aumentando também a exploração dos assalariados. É uma “inovação” prejudicial para o trabalhador.
Um esqueminha “pós-fordiano” para aumentar a extração de “mais-valia”.


ALOPATIA CARNICEIRA.

A indústria farmacêutica é foda mesmo.
Muito poderosa.
Conseguiu tirar de circulação o extrato líquido de Espinheira Santa, usando a desculpa de que não há comprovação científica para o combate à gastrite com essa planta.
Na verdade, o objetivo era eliminar a concorrência ao Omeprazol, que é o remédio alopático específico para gastrite.
O Omeprazol funciona contra a gastrite, mas os remédios naturais têm a grande vantagem de evitar os efeitos colaterais, e o preço é menor. Mas aí chega a Vigilância Sanitária e proíbe a venda do extrato líquido de Espinheira Santa, usando a desculpa esfarrapada de que não há comprovação científica. (é foda!)
Mas eu comprovei a eficiência do extrato.
Várias vezes fiz a gastrite recuar com o extrato líquido de Espinheira Santa. Foi empírico e experimental. Portanto foi “científico”.





ÓDIO TRIBAL.
(TRIBOS E EGOS)

Todas as etnias tiveram suas guerras tribais:
tupi e tapuia; hutu e tutsi; viking e saxão; eslavo e tártaro; latino e germânico; sioux e pawnee; sudestino e nordestino; celta e etrusco; ariano e drávida; etc, etc.
Ódio tribal não é prerrogativa exclusiva de nenhuma etnia, e pode emergir em qualquer contexto específico. Misturado com disputas de poder, de território, de comércio, etc.
Atualmente, está sobressaindo a velha guerrinha entre eslavos, germânicos, vikings, saxões e “tártaros”. Com os chineses e os turcos incluídos no tiroteio generalizado. Com a ideologia eurasiana emergindo, e mais uma vez ameaçando a hegemonia saxônica e germânica. (os tártaros já foram engolidos pelos eslavos, de novo, e ninguém pode prever até onde irá todas as avalanches tribais.)
Pois é. Esse troço tá ficando a cada dia mais feio. Será que chegou o momento da Terceira Grande Guerra?? (as “tribos” que o digam.)



reuma

REUMOSIDADE NO SANGUE é um assunto que os “suicidas”, em geral, não gostam de falar. E, se pudessem, censuravam. Cortavam esse papo. A curto prazo.
Mas eu estou aqui, corajosamente, enfrentando TAMBÉM os aspectos negativos da herança contracultural e da herança acadêmica. DAS DUAS.
Corajosamente !!!
Em nome da evolução social e espiritual da humanidade. DAS DUAS.



DÉBITO AUTOMÁTICO.

Depois que você passa o cartão, e registra as mensalidades, os executivos passam a lhe tratar como “cachorro”.
Aliás: nem cachorro é tratado desse jeito.
Até porque os “cachorros” estão no poder.
Lá na favela dos Sete Mocambos...
os cachorros expulsaram os gatos,
com extrema violência,
e tomaram o poder.
Todo mundo está obedecendo às ordens dos cachorros...
na favela dos Sete Mocambos.



Arte e política.


Dos três principais muralistas mexicanos,
apenas Siqueiros era stalinista.
Rivera, ex-marido de Frida, era trotskista.
E Orozco poderia ser considerado um expressionista (à esquerda, embora não tivesse ligação direta com “tendências” partidárias).
A vida desses três muralistas foi marcada por conflitos com poderes contextuais, alguns exílios e perseguições ideológicas. Mas também tiveram seus momentos de apoio estatal e negócios com empresários bem sucedidos, como Rockfeller, por exemplo.



Racismo reverso existe mesmo. Vejam essa:
num desses domingos de manhã, fui fazer uma pequena feira num desses grandes SUPERMERCADOS.
Na hora de pagar a conta, aconteceu um defeito na máquina do caixa, e a fila esperou uns 20 minutos. Todo mundo ficou nervoso, e eu também. (sou um animal, e não um “pendráive”).
Começou então um cu-de-boi entre alguns clientes e a garota do caixa. Mas uma vigilante marrom cismou apenas comigo.
Veio acintosamente na minha direção, e revistou minha ponchete na cara de pau, na frente de todo mundo.
Parecia uma evangélica, tinha todo o jeito de um evangélico. (certamente encrespou com as minhas tatuagens, a minha pele branca e a minha masculinidade natural: é bastante provável.)



QUIMERA.

Quando Dom Alonso Quijano recobrou a lucidez, e voltou para a casa dos pais...
em pouco tempo depois adoeceu e morreu. Certamente somatizou. Mas somatizou o que exatamente?? Lamúrias do eixo “ego-id” tornadas interiormente vingativas pelos interesses seculares do inconsciente coletivo?? Quais lamúrias exatamente?? ESPECIFICAMENTE.
Porém o que mais me espanta é o fato de que o Cervantes antecipou essa temática da somatização, com uma terminologia pessoal, evidentemente.
Ainda me espanta muito essa grande sacada intuitiva do Cervantes. Foi realmente uma antecipação genial.
Assim como também Machado de Assis antecipou a discussão da “antipsiquiatria” na novela O ALIENISTA.
Genial também.



AS TRIBOS OUTRA VEZ.

Quando me falam de guerras tribais, eu sempre lembro imediatamente das disputas territoriais entre eslavos, germânicos, vikings e tártaros. Um eterno retorno da antiquíssima questão tenebrosa de espaços vitais e mortais.
E agora com os lagos siberianos borbulhando metano, novas hordas de “cazares” começam a descer outra vez na direção do centro europeu. Novas hordas de eslavos planejam novamente ocupar os Pireneus.
Neo-stalinistas e patriarcas ortodoxos de Moscou, numa aliança esdrúxula impensável há dois anos atrás. Falta apenas os saxões neo-liberais aderirem. Aí fudeu tudo mesmo.
Podem dizer que arrombou tudo.
Vão dividir toda a água do Aquífero Guarani entre eslavos e saxões.
Quem diria??



Sabes como é a Filosofia do Zero??
É assim: zero ego, zero dinheiro, zero sexo, zero substância, zero poder, etc.
Quero deixar bem claro que não sou adepto dessa filosofia sádica. Incompatível com a vida na Terra.




HEGESIAS, o pateta.

Alguém poderia imaginar um sujeito mais patético do que o Hegesias de Cirene??
Um cara que chegou aos 80 anos pregando
o suicídio que nunca praticou:
é muita cara de pau.
A Baleia Azul é fichinha perto desse palerma periculosíssimo.
Sou mais o Diógenes, de Sínope,
batendo punheta no meio da Ágora.



EIS O GRANDE DESAFIO DO SÉCULO 21: interligar os diferentes tipos de luta:
espiritual, ambiental, classista, étnica, de gênero, etc, etc.
SIMBIOSES E SINERGIAS.
...
mas não vai ser nada fácil, pois cada ego espreita, fechado em si mesmo, de olho no seu próprio pirão corporativista.
E os egos individuais,
junto com os interesses imediatos
das corporações pops,
falarão mais alto??
...
(antes de começar a guerra civil aqui, e a
Terceira Grande Guerra no resto do mundo,
TRAGAM LOGO O MEU PIRÃO.



“MALANDRO”.

Artistas burgueses “dionisíacos” ou “psicodélicos” são burgueses como outros burgueses quaisquer.
O primeiro lance é diferenciar “artista com fama” e “artista sem fama”: são duas condições existenciais bem diferentes.
(todo mundo sabe que o artista que fizer, na sua arte, sérios questionamentos das relações-de-produção, e dos mecanismos de dominação, ficará “de fora” das benesses da grande mídia, do dinheiro e da glória individual: SABEMOS.)
Por que um artista com perfil mental dionisíaco ou psicodélico jamais se tornaria um burguês?? O dionisismo e a psicodelia, a priori, travariam o ego destas criaturas antes de qualquer emersão da ganância e da vaidade pessoais??
O segundo lance é repetir, sempre, que não estou defendendo uma arte prioritariamente atrelada à ortodoxia marxista ou anarquista estereotipada. (nunca é demais repetir: pra efeito didático.)




...
e de repente vem pra cima de mim um bando de “andorinhas” sonsas e “mariposas” miríficas globais, pedindo minha cabeça e meu escalpo. Como se eu fosse político ou sindicalista. Ou burguês. (é pra se lascar.)
E tem também os radicalóides ditatoriais e os sonhadores delirantes no meu calcanhar. Também querem minha cabeça e meu escalpo. Ou seja: tou no meio de um fogo cruzado fuderoso: lá onde a porca torce o rabo e a cutia começa a “assubiar”, levando murdida de jegue brabo, indomável.
(é pra se arrombar.)
Vou repetir mais uma vez: não sou político.
SOU POETA, e prosador. Escritor menor: sem fama e sem dinheiro.
Tenho perfil mental de artista, e não de “gerente”.


um arqueiro zen e um samurai pirado.

...
tenho aconselhado as fêmeas a aprenderem artes marciais e tiro-ao-alvo, mas elas não me escutam. (elas preferem o romantismo ingênuo e o pacifismo incapaz de autodefesa.)
abordei o problema do estupro várias vezes nos meus escritos, e narrei um deles numa novela de minha autoria.
Me acusar de "machinho escroto" seria burrice, ou percepção limitada.




TÁTICA.

Eis as principais “táticas” usadas pelo Sudeste-Sul para vampirizar o Nordeste:
1) Manter a maior parte das verbas públicas no Sudeste-Sul.
2) Exploração mão-de-obra barata nordestina.
3) Cobrança de impostos no local de produção, e não no local de consumo.
4) Empresas sulistas que exigem baixo custo de produção e baixos salários para se instalarem no Nordeste.
5) Exploração “desequilibrada” das riquezas naturais do Nordeste.



Foquismo??

a Força Popular, com poderes de fiscalização, polícia e guerra, seria criada após a eleição antecipada, por decreto ou medida provisória. Portanto: usaria violência institucional, legal.
E implantaria um pouco de horizontalidade dentro das forças armadas em geral, e trabalharia uma EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA, e não para o neo-liberalismo ou o neo-fascismo. (incluindo o fascismo vermelho.)
Obviamente, a arrecadação progressiva de impostos, e a participação nos lucros,
também seriam implantadas por decreto ou medida provisória. Após a eleição antecipada.
Tenho dito. E repetido.




PAINEL.

Dos três principais muralistas mexicanos, apenas Siqueiros era stalinista.
Rivera, ex-marido de Frida, era trotskista.
E Orozco poderia ser considerado um expressionista (à esquerda, embora não tivesse ligação direta com “tendências” partidárias).
A vida desses três muralistas foi marcada por conflitos com poderes contextuais, alguns exílios e perseguições ideológicas. Mas também tiveram seus momentos de apoio estatal e negócios com empresários bem sucedidos, como Rockfeller, por exemplo.



somatização

Quando Dom Alonso Quijano recobrou a lucidez, e voltou pra casa dos pais, em pouco tempo depois adoeceu e morreu. Certamente somatizou. Mas somatizou o que exatamente?? Lamúrias do eixo “ego-id” tornadas interiormente vingativas pelos interesses seculares do inconsciente coletivo?? Quais lamúrias exatamente?? ESPECIFICAMENTE.
Porém o que mais me espanta é o fato de que o Cervantes antecipou essa temática da somatização, com uma terminologia pessoal, evidentemente.
Ainda me espanta muito essa grande sacada intuitiva do Cervantes. Foi realmente uma antecipação genial.



Divisões intestinas.

Estou sempre relembrando as disputas territoriais entre eslavos, germânicos, vikings e tártaros. Um eterno retorno da antiquíssima questão tenebrosa de espaços vitais e mortais.
E agora com os lagos siberianos borbulhando metano, novas hordas de “sármatas” começam a descer outra vez na direção do centro europeu. E outras hordas de “hérulos” e “lombardos” planejam novamente ocupar os Pireneus.
...
Alianças esdrúxulas impensáveis há dois anos atrás.
Agora falta apenas os mongóis aderirem também.
Aí fudeu tudo mesmo.
Podem dizer que arrombou tudo.



BITCH.

Santa Maria Egipcíaca tinha olhos castanhos
e cabelos marrons.
Praticou prostituição física, mas não prostituição intelectual, antes de se converter ao cristianismo ortodoxo.
2.800 anos depois, ela parece dizer assim: “Sou o que sou: bipolar, como a Terra. Meus lados alternam-se e misturam-se desde Eridu e Jericó. Sou pletora. Sou plena. Sou tudo.”
E a santa do “pau oco” rangia seus dentes e suplicava “insights”. Seus olhos ardiam em febre alta, de travessias soturnas e purgatoriais. Como Santo Antão, que via dragões e outros bichos e almas penadas, até desmaiar, e retornar mais equilibrada e consciente.

(dedicado a Manuelzinho do Recife.)



IMORTALIDADE & interesses pessoais

Muita gente boa já escreveu sobre esse tema. E eu vou tentar resumir o meu vômito pessoal, aqui nesta minicrônica, o máximo possível.
Sinceramente, mas sinceramente mesmo: não estou mais obcecado em imortalizar minha herança artístico-literária, ou eternizar minha alma individual. Mas também não estou, no extremo inverso, pedindo e insistindo para que a “hierarquia” cósmica faça a extinção total da minha literatura ou do meu espírito. O que for, será. Eu aceito. Se é o nada, é o nada. Se não é o nada, seja o que quiser a “hierarquia” cósmica. Sei que sou apenas fagulha (ponte, e não fonte). Mas tudo ressurge do pó cósmico. E o resto não é comigo. Outros “LARAS” ressurgirão da poeira cósmica? Isso não é comigo. Já fiz minha parte: escrevi oito livros, lutei por justiça social, e fiz muita busca “espiritual”. Tou com a consciência tranquila. E é só. Apenas fiz a MINHA aposta. O resto será decidido pela “teia” universal, o “rizoma” cósmico eterno.
Obviamente, não vou “rezar” para objetivos egóicos: eternidade, dinheiro, brilho pessoal, vantagens familiares, milagres, etc. Mas também não sou, nem quero ser, nenhum “santo” pobretão ou eterno anátema. Tou no meio, tentando me equilibrar no mesmo “fio de navalha” de todos nós, embora não esteja tão vinculado ao horror de ser comum ou finito, mas deseje, como todo mundo, um quinhão de prestígio e fama. E aceito a morte e suas funções nos jogos dialéticos, biológicos, espirituais, universais, etc.
Sempre fui inculcado com o excesso de ânsia de imortalidade, prestígio pessoal e poder hierárquico. E esse imbróglio sempre me pareceu “pré-cósmico”. Ou seja: uma gestação que precedeu o aparecimento dos primeiros símios e hominídeos (muito difícil de ser investigada sem fórmulas igrejeiras ou “positivistas”). É uma velha história, e eu já escrevi sobre isso. Estou tentando, nesta minicrônica, enfatizar aspectos pouco abordados (insuficientemente abordados). Acredito que, no fundo do fundo, há, no ser humano, uma antiquíssima ânsia de querer igualar-se a “deus”, e eternizar o “ego” individual. Velha história. Muita gente boa já escreveu sobre isso. Será que vai continuar assim até a extinção da espécie? Ou, em algum momento da trajetória humana, acontecerá um “milagre”, e essa obsessão será superada?
Cada um que administre as suas dosagens de “carne” e os seus interesses seculares, dissimulados ou não. Simulacros à parte, eu tenho os mesmos interesses dos homens comuns. Já disse. Também quero proteção e vantagens para a minha família, os meus “genes”, mesmo que apenas até certo ponto. E se a escuridão e a podridão e o vampirismo que imperam entre os humanos é mais responsabilidade cósmica que humana, então ótimo: pense num alívio. Porém se é mais responsabilidade do ego humano, eu assumo minha parcela de “culpa”, minha dosagem de participação, numa boa, numa tranquila. Não acredito que Bach seja maior do que “deus”, mas também não quero zerar o ego, o poder, a fama. Cada coisa tem a sua função no todo. E cada um que gerencie as suas porcentagens.







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